Parlamentares criticam 'marketing' dos radares
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terça-feira, 08 de dezembro de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O desligamento dos radares e a reação da prefeitura de Curitiba foi debate ontem na Assembleia Legislativa do Paraná. Todos os deputados estaduais que se manifestaram publicamente sobre o assunto, durante a sessão plenária, criticaram a prefeitura de Curitiba, que na semana passada divulgou números revelando o aumento de registros de veículos acima da velocidade permitida na cidade, em comparação ao período de funcionamento de radares. Os números dão base à tese da administração local, que tentou, sem sucesso, manter os radares funcionando.
''No dia seguinte à decisão do Judiciário (que mandou desligar os radares), vem a prefeitura de Curitiba dizer que indiretamente os acidentes são culpa do desligamento dos radares. O que é isso? Um estado policial? O ideal seria que os radares nem fossem necessários'', disse Tadeu Veneri (PT).
Os radares foram desligados na quinta-feira última em razão de uma decisão do Tribunal de Justiça do Paraná, que rejeitou recurso da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) e determinou a imediata aplicação de uma decisão anterior, que suspendeu o contrato emergencial assinado em abril entre a Urbs e a empresa Consilux, responsável pela operação dos radares. Na prática, a suspensão do contrato significa desligamento dos radares.
A Consilux venceu a licitação em 2004, e desde então o contrato vinha sendo prorrogado com aditivos, até a assinatura de um contrato emergencial em 2009, o que foi contestado pelo Ministério Público (MP) do Estado. O MP sustenta que a legislação prevê a extensão de um contrato por no máximo 60 meses.
O pepista Antonio Belinati também criticou a atitude da prefeitura de Curitiba: ''O que ocorre é um marketing descarado a favor do radar. Daqui a pouco eles vão organizar uma romaria para pedir os radares de volta''. ''Também não vejo nenhum problema em cancelar o contrato. E a Urbs está sob suspeita sim'', completou o peemedebista Stephanes Júnior.
Em entrevista à imprensa no passado, o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), não soube explicar a demora na realização de uma nova licitação e disse que apuraria se houve ''cochilo'' da Urbs.
Os parlamentares alegam que o Executivo local estaria tentando ''esconder'' o atraso no processo de licitação ao divulgar números que tratam da velocidade dos veículos.
Ontem, a prefeitura de Curitiba divulgou novamente um balanço do número de veículos que trafegaram acima da velocidade. É que, apesar do desligamento dos radares e da não geração de multas, os sensores de solo dos radares registram a quantidade de carros que passam em velocidade superior à permitida.
No sábado último foram registrados 8.769 motoristas acima da velocidade. No sábado anterior, quando os radares funcionavam normalmente, foram 1.220 motoristas. Já anteontem, foram 8.845 registros, contra 1.714 do domingo anterior.
Quando houve a decisão do Judiciário contrária à prefeitura de Curitiba, a Urbs informou que sete empresas estão participando de um novo processo licitatório para a contratação de serviços de monitoramento eletrônico de trânsito, com sistema fixo de radares. O processo de licitação deve ser concluído até o final do ano e a instalação dos equipamentos está prevista para o começo de 2010. A Consilux está entre as concorrentes.


