Parlamentares cobram verbas
O ministro da Previdência, Waldeck Ornelas, reuniu os líderes dos partidos da base de sustentação do governo para rever a estratégia de mobilização da base aliada a fim de garantir a aprovação, na próxima semana, da reforma previdenciária. Na quarta-feira, a Câmara votou apenas a derrubada de duas emendas apresentadas pela oposição e que modificavam a idéia original do governo para o assunto. É que os parlamentares cobram a liberação de recursos relativos às emendas do Orçamento da União de 1997 para votarem a reforma.
Segundo um parlamentar presente à reunião, realizada no Ministério da Previdência, o presidente da Caixa Econômica Federal, Sérgio Cutolo, teria sido intimado, por telefone, a resolver os problemas burocráticos que estariam impedindo a liberação das verbas do orçamento, destinadas a obras nas bases eleitorais dos deputados.
Um levantamento feito no mapa de votação de ontem mostra que, dos 345 deputados da base governista que votaram a favor do texto básico aprovado em fevereiro, mais de 40 deixaram de votar ontem e 19 votaram contra o governo ou se abstiveram. Os líderes se empenharão neste fim de semana para convencer esses deputados a mudar de atitude.
Apesar dos problemas, Ornelas está confiante na conclusão do primeiro turno de votação da reforma previdenciária na próxima semana. Depois da derrota da última quarta-feira, na primeira tentativa de votação dos destaques da oposição depois das mortes de Sérgio Motta e Luís Eduardo Magalhães, o ministro decidiu se reunir com os líderes aliados para acompanhar o andamento das votações.
A reunião foi produtiva e a bancada está mobilizada, reafirmou Ornelas. Segundo ele, a reforma da Previdência estará concluída até o final deste mês, quando imagina ter sido finalizado o segundo turno de votação. Não tenho os números fechados, mas teremos mais de 308 votos. Além de cobrar do Executivo a liberação de verbas do Orçamento de 1997, a bancada governista hesita em aprovar medidas impopulares em meio ao calendário eleitoral. Entre os destaques que ficaram para a próxima semana estão o que estabelece o redutor de até 30% sobre os vencimentos dos aposentados que recebam mais de R$ 1,2 mil e o que introduz limite de idade. (AE)





