Brasília - Único parlamentar presente que não votou pela cassação de Natan Donadon (sem partido-RO) na sessão de quarta-feira à noite, o deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) disse ter agido por uma "questão ética", uma vez que ele próprio é condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e aguarda apenas o julgamento de recursos.

"Não me sinto à vontade, na condição de condenado, para julgar e condenar ninguém. É uma questão ética. Um condenado julgar outro", justificou Bentes, que recorre de condenação a 3 anos, 1 mês e 10 dias de prisão por proporcionar cirurgias de esterilização em mulheres em desacordo com a Lei do Planejamento Familiar.

Outros 43 parlamentares no exercício do mandato não votaram. Como em casos como este é preciso alcançar 257 votos pela cassação, a ausência tem o mesmo peso de um voto favorável a Donadon. Na lista dos ausentes está Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que deve ser julgado nos próximos meses no caso do mensalão mineiro. Paulo Maluf (PP-SP), que também tem pendências no STF, foi outro a faltar à sessão.

Condenado pelo STF a 13 anos de prisão por formação de quadrilha e pelo desvio de cerca de R$ 8 milhões da Assembleia Legislativa de Rondônia, Donadon cumpre pena desde 2013 na Penitenciária da Papuda, em Brasília. Em agosto do ano passado, quando a votação ainda era secreta, o plenário da Câmara manteve o mandato do ex-parlamentar.

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