Curitiba - Não só os trabalhadores estão atentos para o desenrolar das negociações para a reforma da Previdência no Congresso Nacional. Os sindicatos patronais também começam a se mobilizar para tentar incluir um ponto que consideram vital em um novo sistema previdenciário: a redução dos encargos sociais pagos pelas empresas à União.
Para o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná (Sinduscon), Roberto Valente, um encargo social menos estimularia as empresas a contratar mais empregados e diminuiria a quantidade de trabalhadores no mercado informal. ''Atualmente, para cada R$ 100,00 que pagamos ao empregado, uma contrapartida de R$ 126,00 é destinada ao governo''.
Para Valente, o setor da construção civil é um dos mais afetados pela atual legislação. ''Como empregamos muitas pessoas, o encargo acaba sendo monstruso. Do custo total de uma obra, 25% referem-se apenas aos encargos trabalhistas. Os impostos deveriam ser cobrados sobre o faturamento das empresas, e não sobre a folha de pagamento''.
O deputado federal Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha (PT), concorda em parte com Valente. ''Não acho que os encargos sejam exagerados. Mas com certeza a reforma da Previdência deve levar em conta um reforma tributária'', afirmou o deputado.
Se concordam em um ponto, tanto o deputado como o dirigente sindical discordam radicalmente em outra solução para o problema. Roberto Valente defende que a Previdência no Brasil seja reduzida. ''Desde 1985, quando começaram a ser coletadas sugestões para a nova Constituição, defendi que os encargos sociais sejam repassados diretamente ao trabalhador. Ele deve ser tratado como adulto, e ter a chance de planejar sua aposentadoria da forma que melhor escolher''.

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