Os deputados e senadores que pretendem concorrer aos governos dos Estados em 1998 tentam reverter a vantagem dos atuais governadores, que podem disputar a reeleição sem deixar o cargo, pulverizando entre o maior número possível de municípios a verba de R$ 1,5 milhão do Orçamento-Geral da União à qual eles têm direito.
Na disputa que já começa, dois senadores pré-candidatos ao governo do Piauí empataram nos pedidos de verbas: os senadores Hugo Napoleão, líder do PFL, e Freitas Netto (PFL) apresentaram 20 emendas paroquiais cada um. Outro possível concorrente ao governo do mesmo Estado, o deputado Alberto Silva (PMDB), foi mais modesto e distribuiu o R$ 1,5 milhão em 16 emendas.
As emendas feitas pelos três pretendentes ao governo do Piauí são o exemplo de como o dinheiro é picotado para que tenha resultado eleitoral. A infra-estrutura urbana em Guadalupe deverá ser contemplada com R$ 50 mil das emendas de Napoleão. Freitas Netto foi mais generoso em proposta igual: quer mandar R$ 80 mil para a infra-estrutura de Corrente. Por emenda de Silva, São Raimundo Nonato vai receber R$ 50 mil para perfurar poços.
A corrida ao dinheiro do Orçamento foi tão grande que houve um estouro na previsão das verbas destinadas aos parlamentares. Os 594 deputados e senadores têm direito a cerca de R$ 3 bilhões para as emendas. No total, reivindicaram gastos de R$ 12,62 bilhões. O relator da Comissão de Orçamento, deputado Aracely de Paula (PFL-MG), terá de encontrar um jeito de cortar pelo menos R$ 9,62 bilhões do dinheiro que os colegas de Parlamento pretendem enviar a Estados e municípios.
O senador Edison Lobão (PFL-MA), candidato ao governo do Maranhão na hipótese de a governadora Roseana Sarney (PFL) não concorrer à reeleição, fez 18 emendas ao Orçamento. Como outros interessados no governo estadual, dividiu a verba em pequenas quantias. Este tipo de atitude pode até render votos, mas dificilmente serve para iniciar e terminar uma obra. Para a construção de um ginásio de esportes em Altamira do Maranhão, por exemplo, Lobão destinou R$ 80 mil. Dá só para o começo.
O senador Epitácio Cafeteira (PPB), que também quer disputar o governo do Maranhão, seguiu o caminho de Lobão. Seu R$ 1,5 milhão foi distribuído em 17 projetos. As obras de perfuração de poços públicos de água em Colinas deverão receber da emenda de Cafeteira o total de R$ 50 mil. A eletrificação rural em Cururupu poderá obter até R$ 80 mil.
A tentativa de agradar aos eleitores é clara em todos os Estados e setores. O senador Roberto Requião (PMDB-PR), que ainda não sabe se vai disputar o governo paranaense ou a Presidência da República, foi rápido e fez 20 emendas. Mas não usou todo o R$ 1,5 milhão. A soma das propostas de Requião dá R$ 1.499.500,00, gerando ao País, caso as emendas sejam executadas, a pequena economia de 500 reais. A assistência integral à criança e ao adolescente de Chopinzinho terá R$ 60 mil de Requião e a reforma de um ginásio de esportes em Iporá poderá ser contemplada com R$ 50 mil.
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o filho dele, o líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), fugiram da prática de se picar o dinheiro do Orçamento. ACM pegou o R$ 1,5 milhão da emenda individual que fez e destinou ao apoio às atividades culturais na Bahia e ao Hospital Universitário do Estado. Luís Eduardo fez uma única emenda: o R$ 1,5 milhão dele será totalmente repassado ao Hospital Universitário.

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