Curitiba - O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná, em duas decisões inéditas, liberou parentes do governador Roberto Requião (PMDB) e do vice-governador, Orlando Pessuti (PMDB), para concorrer nas eleições de outubro.
O TRE manteve a candidatura a vereadora em Curitiba de Márcia Elizabeth Drehmer de Melo e Silva (PMDB), cunhada do governador conhecida como Márcia Requião. O pedido de registro da candidatura dela havia sido negada pela 1 Zona Eleitoral, no mês passado. Na tarde de ontem, porém, o TRE acatou o recurso feito pela defesa de Márcia, casada com o secretário de Estado da Educação, Maurício Requião, que é irmão mais novo do governador. Ainda cabe recurso da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. O prazo para recurso é de apenas três dias.
Como foi o Ministério Público (MP) eleitoral quem questionou a candidatura de Márcia, por causa do parentesco com o governador, o recurso será encaminhado pelo procurador eleitoral João Gualberto Garcez Ramos.
O presidente do PMDB municipal, Doático Santos, comemorou, e os advogados de defesa classificaram a decisão como ''ousada e histórica''. A defesa de Márcia alegou que a legislação continha uma discrepância, pois permite que um governador dispute a reeleição sem se afastar do cargo, mas ao mesmo tempo impede que seus parentes sejam candidatos. Isso está previsto na emenda 16/97, a chamada emenda da reeleição. O recurso de Márcia seria julgado anteontem, mas o jurista Manoel Caetano Ferreira Filho pediu vistas, e a decisão saiu ontem.
A irmã do vice-governador Orlando Pessuti, Neuza Pessuti Francisconi (PMDB), também está liberada pelo menos por ora para concorrer à Prefeitura de Jardim Alegre (115 km ao Sul de Apucarana). No mês passado, a candidatura dela havia sido impugnada pela 152 Zona Eleitoral em Ivaiporã, a pedido da coligação adversária, que une PSDB, PFL e outros partidos. A Justiça Eleitoral em Ivaiporã entendeu que Neuza foi tornada inelegível porque seu irmão, Orlando Pessuti, susbtituiu Requião no comando do Poder Executivo, em maio deste ano. O TRE, porém, liberou Neuza para concorrer. Assim como no caso de Márcia, cabe recurso ao TSE no prazo de três dias.
Votaram pela liberação das candidaturas das duas Ulisses Lopes, Auracyr Cordeiro, Joeci Camargo e Manoel Caetano Ferreira Filho. Foram derrotados no voto, ao defender a inelegibilidade delas, Fernando Quadros da Silva e José Laurindo de Souza Netto. A Folha não conseguiu contato com Márcia, para comentar a decisão do TRE. Neuza também foi procurada, mas ninguém atendeu o telefone de sua casa, em Jardim Alegre.
O TRE analisou ontem também o recurso do nanico PTdoB. O candidato a prefeito do PTdoB, Danilo D'Avila, seu vice, Lauro Rodrigues, e cinco candidatos a vereador tiveram os registros de candidatura indeferidos porque os pedidos de registro foram feitos pelo diretório estadual e não municipal, de acordo com a assessoria de imprensa do TRE. Cabe recurso ao TSE. E até sair uma decisão em Brasília, eles são candidatos.

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