Caetés Numa mistura de excitação, ansiedade, emoção e muito orgulho, 19 parentes do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, se reuniram ontem pela manhã no sítio Vargem Comprida, em Caetés, no agreste pernambucano, para uma peregrinação que em nada se compara à realizada pelo presidente eleito há 50 anos. Na ocasião, Lula, então com sete anos de idade, ao lado da mãe e de seis irmãos, deixou o sítio onde nasceu, e em um caminhão pau-de-arara fugiu da seca e da fome. Viajaram 13 dias, sem recursos, para chegar a uma terra desconhecida São Paulo abastecidos apenas pela fé de Dona Lindu, sua mãe.
Ontem seus parentes também subiram na carroceria de um caminhão pau-de-arara, mas cheios de entusiasmo e sem sofrimentos, para fazer um pequeno percurso de estrada de barro até a Rodovia BR-424, que liga Caetés a Garanhuns, onde um ônibus fretado da Transtil Turismo, com semi-leito e ar condicionado, os esperava para levá-los para assistir, em Brasília, ao coroamento das conquistas do parente famoso: a posse como presidente da República.
O som do baião, do xote e do forró, executado pela banda ''Magia do Forró'', grupo contratado pelo prefeito de Caetés, José Luiz de Lima Sampaio (PT), acompanhou a partida, que também foi registrada com fogos de artifício. A sanfona, a zabumba e o triângulo animaram a dança defronte da casa de Antonio Ferreira de Melo, de 55 anos, um dos passageiros e primo legítimo de Lula, cuja casa serviu de ponto de encontro na Vargem Comprida e onde eles tomaram o café da manhã com queijo de coalho e bolacha.
Animados, acompanharam várias músicas do cancioneiro popular nordestino e até mudaram a letra de uma delas, cantando ''só deixo o meu Caetés (ao invés de Cariri) no último pau-de-arara''. ''Não dormi direito, acordei várias vezes e às 4h30 já estava de pé'', disse Gilberto Ferreira, 55 anos, também primo de Lula, antes de embarcar. Agricultor, ele nunca saiu de Pernambuco e está feliz por fazer uma viagem longa e conhecer outras ''paragens'', num contexto que considera histórico e de grande importância. ''Meu maior desejo é que ele venha a ser conhecido por ter feito um bom governo''.
A expectativa é compartilhada por todos os familiares que integram a comitiva outros cinco primos legítimos e primos de segundo e terceiro graus do presidente eleito. Muitos deles nunca saíram de Caetés ou de Garanhuns, outros já tentaram a vida em São Paulo e retornaram, outros têm na família exemplos de quem se fixou no Sudeste buscando a sobrevivência fora do Nordeste.
Embora nada esteja previsto, os parentes nutrem a esperança de verem o presidente no dia 2, depois dos compromissos da posse. Eles vão ficar hospedados no alojamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) e acreditam que Lula poderá ir visitá-los e comer um churrasco. De qualquer forma, eles estarão entre a multidão que deverá lotar a Praça dos Três Poderes com uma faixa indicando o orgulho de sua origem e do parentesco com o presidente. No ônibus, o letreiro luminoso não deixa dúvida: ''caravana da família de Lula rumo ao Planalto''. A previsão de chegada é às 22 horas de hoje.

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