Parente deve assumir o Planejamento
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de janeiro de 1998
Christiane Samarco 
Agência Estado
A reforma ministerial de abril deverá levar o secretário-executivo do ministério da Fazenda, Pedro Parente, ao posto de ministro do Planejamento. O presidente Fernando Henrique Cardoso quer aproveitar o desembarque dos ministros políticos, que são obrigados a deixar seus postos até o dia 3 de abril se quiserem disputar as eleições de outubro, para mostrar que a economia está sob o comando forte e único do ministro da Fazenda, Pedro Malan.
A fórmula defendida hoje no Planalto é a de enxugar as ações do Planejamento, que passaria a cuidar essencialmente do orçamento da União. A nova estrutura do governo só será definida depois de abertas as urnas, mas a partilha do poder já movimenta os aliados. E segundo um colaborador do presidente, o chefe quer pôr um ponto final nas disputas entre Planejamento e Fazenda e deixar claro, desde já, que não admitirá interferência dos parceiros da reeleição na área econômica.
O governo avalia que o atual ministro do Planejamento, Antônio Kandir, cumpriu um papel duríssimo nos cortes orçamentários e desgastou-se muito por conta dos prejuízos que a isenção de cobrança do ICMS a produtos de exportação produziu nos cofres estaduais. A expectativa do Planalto é a de que o ministro passe sua pasta ao comando de Parente, em dobradinha com Malan, e saia do governo levando consigo o desgaste da Lei Kandir. Afinal, enquanto Kandir atritava-se com os políticos, Malan tratava de renegociar as dívidas dos Estados, para alegria dos governadores e suas bancadas.
Um ministro de Estado salienta que a unidade de comando na economia vai fortalecer outro colega, além de Malan. Refere-se ao ministro-chefe do Gabinete Civil, Clóvis Carvalho, que impera no governo como um super-gerente. Um homem do Malan no Planejamento reduz em 50% a área de atrito com o gerente, explica o ministro. Assim o Clóvis não terá ninguém disputando com ele.
Os colaboradores mais próximos ao presidente garantem que o novo desenho operacional de seu governo só será definido depois de checada sua própria força e a de cada aliado nas urnas. O presidente não fará nada que ponha em risco a estabilidade do governo e a harmonia da aliança durante a campanha, justifica um ministro do PSDB. Tanto é assim, que Fernando Henrique desistiu de fazer a reforma ministerial neste mês, como chegara anunciar, para não tumultuar a votação das reformas administrativa e previdenciária durante a convocação extraordinária do Congresso. O presidente não quis criar marola, resumiu um ministro do PFL.
Ninguém tem dúvidas de que, vitorioso no primeiro turno, Fernando Henrique terá mais independência na escolha dos nomes e na definição do formato mais enxuto do novo ministério. Os aliados do PSDB, PFL e PMDB também sabem que a idéia que prevalece hoje no Planalto é a de privilegiar os perfis executivos na composição da equipe que vai trabalhar nos seis meses pré-eleitorais. Mas nem isso diminui a briga de bastidores por espaço nesta equipe de transição.
Não estamos brigando por seis meses, mas por causa dos quatro anos que vêm aí, justifica um dos ministros candidatos. Os titulares de seis ministérios deixarão seus postos para disputar o governo estadual ou uma cadeira no Congresso. São eles o tucano Kandir, os pefelistas Gustavo Krause (Meio Ambiente) e Reinhold Stephanes (Previdência), os peemedebistas Eliseu Padilha (Transportes) e Iris Rezende (Justiça), e o pepebista Francisco Dornelles (Indústria e Comércio).


