O novo ministro do Orçamento e Gestão, Pedro Parente, afirmou ontem que os sinais da economia são positivos, mas ainda insuficientes para ‘‘afrouxar os cintos e soltar a respiração’’, referindo-se às taxas de juros altos e à redução nos gastos públicos. ‘‘A confiança dos investidores é uma muda que precisa ser regada e protegida das intempéries e que tem contra si a praga do déficit público’’, disse em discurso durante a cerimônia de posse no Palácio do Planalto.
A primeira tarefa de Parente será distribuir o corte de R$ 4,5 bilhões nos gastos de custeio e investimentos dos ministérios previstos no Orçamento da União deste ano. O total dessas despesas, orçadas em R$ 39 bilhões, terão de cair para R$ 34,5 bilhões, de acordo com recomendação feita pela Comissão de Controle e Gestão Fiscal (CCF). Parente disse concordar em recompor os cerca de R$ 130 milhões retirados dos programas sociais na execução do Orçamento no período de janeiro a março. A reposição dessas verbas foi anunciada recentemente pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
O ministro de Orçamento e Gestão defende o combate ao déficit público. Comandou a renegociação das dívidas dos Estados junto à União e foi um dos principais negociadores do acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Também era ele que até então representava o governo no Congresso na discussão sobre reforma tributária - substituído a partir de agora pelo secretário da Receita Federal, Everardo Maciel.
Com exceção do secretário-executivo do Ministério do Orçamento e Gestão, Martus Tavares, o restante da equipe do ex-ministro Paulo Paiva será mantida por Parente. O novo ministro disse que convidou ‘‘a todos’’ para permenecerem em seus postos - entre eles a secretária de Administração e Patrimônio Público, Cláudia Costin, o secretário federal do Orçamento, Waldemar Giome e o coordenador do Programa Brasil em Ação, José Paulo Silveira. Tavares já anunciou que deixa o cargo.
Parente disse que o País precisa somar ao desafio do equilíbrio das contas públicas a melhoria da gestão dos recursos públicos. Além de zelar pelo ajuste fiscal que tem por objetivo gerar uma poupança de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em todo o setor público neste ano, Parente prometeu melhorar a gestão do gasto público. ‘‘Arrecadamos cerca de 28,4% do PIB em 1998. Temos como meta gerar resultados primários de 3,1% do PIB neste ano; restariam cerca de 25% do PIB que serão utilizados nos diversos programas dos governos federal, estadual e municipais’’.Dida Sampaio/AEMinistro Pedro Parente é cumprimentado pelo presidente FHCAgência Estado

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