Curitiba - O procurador do Ministério Público Eleitoral (MPE), Néviton de Oliveira Batista Guedes, se manifestou favorável à manutenção da coligação entre o PSDB e o PMDB. O parecer, que deverá somar aos argumentos das partes envolvidas no impasse, foi enviado na quarta-feira ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná. Mas a decisão foi anunciada somente ontem, após autorização do juiz do TRE responsável pela análise do caso, Pedro Gebran Neto. A decisão do juiz sobre o assunto sairá na próxima segunda-feira, conforme adiantou a assessoria do TRE.
O TRE recebeu em meados de julho seis pedidos de impugnação da coligação Paraná Forte, encabeçada pelo governador e candidato à reeleição Roberto Requião (PMDB) ao lado do deputado estadual Hermas Brandão (PSDB), vice na chapa. Metade dos pedidos de impugnação foram feitos pelo presidente do PSDB do Paraná, deputado estadual Valdir Rossoni, e pelos deputados federais Luiz Carlos Hauly e Gustavo Fruet, ambos do PSDB. Os outros três pedidos foram assinados pelo candidato a deputado estadual e presidente licenciado da Social Democracia Sindical do Paraná (SDS/PR), Paulo Cesar Rossi.
Os autores dos pedidos querem fazer prevalecer a decisão do diretório nacional do PSDB, que anulou a convenção no Estado na qual uma maioria apertada optou pela coligação com os peemedebistas. ''Fico surpreso com a decisão do Ministério Público. Porque é uma interferência nas questões internas do PSDB. A decisão tolhe toda a liberdade do partido para defender seus interesses'', disse Rossoni.
A justificativa da executiva nacional e de parte dos tucanos no Estado é de que Roberto Requião não apóia o candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin. ''Como é que fica o parecer do Ministério Público se amanhã o Requião anunciar que vai apoiar o Lula?'', criticou Rossoni. ''O governador não apoiou o nosso candidato publicamente e inclusive fez críticas a ele'', acusou ele.
Já o presidente do PMDB de Curitiba, Doático Santos, disse que o governador está acompanhando a postura política tanto do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, quanto do candidato tucano Geraldo Alckmin ''para ver quem ele irá apoiar'', mas admitiu o impasse travado internamente pelo partido. ''Claro que no PMDB há setores que defendem o Lula e outros que defendem o Alckmin'', conta ele, afirmando porém que a decisão do procurador é importante porque a coligação representa o apoio que o PSDB deu ''nos últimos anos à gestão do governador''.
O candidato a deputado estadual Paulo Rossi informou que respeita a decisão do MPE, mas que não acredita que o juiz do TRE dará o mesmo parecer. Ele reforçou ainda que, na última terça-feira durante uma reunião em Brasília, a excutiva nacional do PSDB confirmou sua posição em torno da convenção no Estado.

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