Parecer de sindicância da Codel será entregue hoje
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terça-feira, 04 de março de 2014
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
O presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Bruno Veronesi, deve receber hoje o relatório final da sindicância aberta em dezembro do ano passado para apurar o envolvimento dos servidores municipais Eduardo Ivan Reale (ex-gerente de desenvolvimento industrial) e José Hilário (ex-coordenador de fiscalização e análise de projetos) em suposto esquema de propina para agilizar procedimentos de doação de terrenos públicos para empresários. O parecer da comissão de sindicância sugere a abertura de um procedimento administrativo, que pode resultar na demissão dos dois. Se aberto, serão nomeados servidores do instituto para conduzir os trabalhos. Mas caberá a Veronesi decidir se acata ou não o parecer.
A sindicância foi aberta depois de operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que levou à prisão por cinco dias de Reale, o empresário Dorival Pereira e a enfermeira Eliana Teixeira Zamboni, que atuava informalmente como corretora de imóveis. A investigação durou cerca de 90 dias.
A diretora da Codel, Tania Mara Rodrigues, presidente da comissão, informou que diversos arquivos, apreendidos pelo Gaeco, seguem sob a guarda da Justiça. "Foi preciso pedir autorização para acessar o material e isso atrasou o nosso trabalho. Quando chegaram, fizemos a leitura de tudo e notificamos todos os envolvidos relacionados no inquérito."
Conforme Tania, das nove pessoas chamadas para falar na sindicância, três não foram, mas os nomes não foram revelados. Reale e Hilário, como servidores, eram os únicos que estavam obrigados a comparecer. Eles seguem afastados das funções sem prejuízos dos vencimentos.
Na semana passada, o Gaeco apresentou à Justiça de Londrina a denúncia criminal, por corrupção passiva e associação criminosa, contra Reale, Hilário, Eliane, Dorival e a secretária dele, Ana Lucia Soares. De acordo com as investigações, Reale cuidaria da tramitação dos processos referentes à doação de áreas para empresários e, junto com Eliana, pediam aos interessados no programa de incentivos do município quantias a partir de R$ 350, em diferentes fases da tramitação, para agilizar documentos. As cobranças podiam chegar a R$ 10 mil.
O empresário Dorival Pereira, dono da Artlondre, aceitou pagar para supostamente obter facilidades na aquisição de uma área pública e, mais tarde, teria aderido "aos propósitos ilícitos perseguidos pelos demais denunciados". Quatro empresários indiciados pelo crime de corrupção ativa escaparam da denúncia criminal porque o MP entendeu que não houve oferta ou promessa de vantagem indevida por parte deles. Eles cederam às solicitações pelo pagamento de propina feitas pelo grupo.


