Brasília - Rachada politicamente entre petistas e tucanos, desde a instalação, há um ano e seis meses, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Banestado no Congresso chegou ontem ao ponto máximo de confusão. Tem agora dois relatórios e talvez nenhum deles seja votado pelos integrantes da comissão. O presidente da CPI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), divulgou ontem um parecer alternativo ao apresentado na semana passada pelo relator, deputado José Mentor (PT-SP), e pediu o indiciamento por evasão de divisas do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles.
Barros também culpa por evasão de divisas e crimes contra o sistema financeiro outros 91 acusados, entre eles, o ex-diretor do BC Luiz Alberto Candiota e o ex-presidente do Banco do Brasil (BB) Cássio Casseb, inocentados pelo relator. Tanto o relatório de Barros quanto o de Mentor somente terão algum valor legal se forem aprovados pelos integrantes da comissão. Com a CPI vivendo nova crise interna, dificilmente, isso acontecerá. Mentor avisou que pedirá a impugnação do relatório de Barros.
Poupado no relatório de Mentor, Meirelles é responsabilizado por Barros pela remessa ilegal de US$ 1 bilhão em setembro de 1998 feita pela empresa Boston Comercial e Participações, subsidiária do Banco de Boston, na ocasião presidido por Meirelles.
No relatório, Barros não incrimina o ex-presidente do BC Gustavo Franco, incriminado pelo relator por ter autorizado o recebimento por agências bancárias de Foz do Iguaçu (PR) de depósitos de estrangeiros em reais, convertidos em dólar e remetidos ilegalmente ao exterior.
O pedido de indiciamento de Meirelles, Candiota e Casseb feito por Barros provocou mais um impasse na CPI. Convocada para votar o relatório final, a sessão de hoje da comissão foi suspensa a pedido do relator, que alegou o descumprimento de um acordo fechado entre líderes do governo e da oposição para adiar a votação do relatório final.
O adiamento serviu para o governo tentar votar o Orçamento da União e o projeto das Parcerias Público-Privadas (PPPs) antes do fim do ano. Nova reunião da CPI foi marcada para segunda-feira.

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