Curitiba - O acordo de cooperação entre o Paraná e a Microsoft Brasil, assinado dia 10 de março pelo governador Beto Richa (PSDB), foi questionado ontem no plenário da Assembleia Legislativa (AL). O autor da ''Lei do Software Livre'', deputado Edson Praczyk (PRB), solicitou informações do Estado sobre os termos dessa parceria para ''saber se ela conflita com a orientação de o Paraná usar preferencialmente software livre na administração pública'', disse o político.
O requerimento de informações não chegou a ser votado, pois o líder do governo na AL, Ademar Traiano (PSDB), pediu para discutir o assunto na semana que vem, retardando a análise da solicitação. ''Vamos esperar e ver o que ele irá dizer na próxima segunda-feira. Eu até posso retirar o requerimento, desde que tenha informação para avaliar a parceria. Uma coisa é um pedido da oposição, mas eu sou da base do Beto na Assembleia. Eu entendo que o software livre não deve nada, hoje em dia, em termos de qualidade, ao software proprietário'', alerta Praczyk.
Enquanto ''programas livres'' podem ser obtidos gratuitamente na internet, e melhorados por programadores autônomos, o ''software proprietário'' precisa ser comprado. Em 2003, o então governador Roberto Requião (PMDB) sancionou a lei do deputado Praczyk (14.508/03) e editou outras duas (14.195/03 e 15.742/07), que abrangiam também sistemas operacionais, serviços disponibilizados pela internet e o uso de arquivos em ''formato aberto''. Nessa época, estimava-se com isso uma economia superior a R$ 3 milhões por ano ao Estado.
O protocolo de intenções assinado por Beto Richa e Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo, com a Microsoft Brasil, trata do treinamento de jovens e aprendizagem virtual na rede de ensino. Para isso a empresa cederia programas para capacitação profissional (Tecnologia da Informação e Design), alfabetização em informática e comunicação entre professores e alunos. A parceria não teria custo e valeria por dois anos.
''O mercado requer um profissional qualificado. Fomos contemplados com o projeto porque resgatamos a confiança de investidores nacionais e internacionais'', alfinetou Beto, referindo-se a Requião. A réplica veio logo depois, quando Requião participou de um encontro de blogueiros. ''Isto é um absurdo. (O software livre) já permitiu não só aos órgãos estaduais, mas também por parte do próprio governo federal, uma economia extraordinária'', disse o peemedebista.
O presidente da Celepar, Jackson Leite, não retornou o contato da reportagem com a assessoria do órgão. Na assinatura com a Microsoft, ele teria dito que ''o acordo é vital para o desenvolvimento de projetos na área de informática e que cheguem até a população''.

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