Cu­ri­ti­ba - O ad­vo­ga­do Pau­lo ­Haus Mar­tins, es­pe­cia­lis­ta em le­gis­la­ção do ter­cei­ro se­tor e pre­si­den­te da Co­mis­são de As­sun­tos Ju­rí­di­cos das ­Ongs da Or­dem dos Ad­vo­ga­dos do Bra­sil, Sec­cio­nal do Rio de Ja­nei­ro (OAB-RJ), ava­lia que o que é gra­ve nu­ma si­tua­ção co­mo a da So­cie­da­de dos Ami­gos do Mu­seu Os­car Nie­me­yer (MON) é a trans­fe­rên­cia de re­cur­sos do go­ver­no pa­ra a en­ti­da­de.
  ‘‘A pre­sen­ça de uma pri­mei­ra-da­ma do Es­ta­do no con­se­lho e na di­re­to­ria de uma or­ga­ni­za­ção que man­tém con­tra­tos com o go­ver­no es­ta­dual po­de ser uma afron­ta ao ar­ti­go 37 da Cons­ti­tui­ção ­Federal’’, dis­se.
  Se­gun­do o pro­cu­ra­dor Ser­gio Are­nhart, do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co Fe­de­ral (MPF), a ce­le­bra­ção de um con­tra­to en­tre o go­ver­no do es­ta­do e uma en­ti­da­de que tem co­mo pre­si­den­te uma se­cre­tá­ria es­pe­cial tam­bém po­de ser al­vo de ques­tio­na­men­to. ‘‘Mas es­sa se­ria uma in­ves­ti­ga­ção que es­tá no es­pec­tro de atua­ção do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co ­Estadual’’, ex­pli­ca.
  ‘‘É cla­ro que al­guém com um vín­cu­lo tão for­te com a ad­mi­nis­tra­ção po­de ter si­do ­privilegiada’’, apon­ta. Co­mo não te­ve aces­so à do­cu­men­ta­ção da or­ga­ni­za­ção, o pro­cu­ra­dor pre­fe­riu ana­li­sar o ca­so em te­se. ‘‘A ri­gor, uma si­tua­ção co­mo es­sa fe­re os prin­cí­pios da ad­mi­nis­tra­ção ­pública’’, diz.
  É es­se tam­bém o en­ten­di­men­to do ad­vo­ga­do Mar­cus Bit­ten­court, mes­tre em Di­rei­to Pú­bli­co e pro­fes­sor da Es­co­la de Ma­gis­tra­tu­ra Fe­de­ral do Pa­ra­ná, que ava­liou o ca­so em te­se, por não ter ti­do aces­so a do­cu­men­ta­ção da en­ti­da­de.
  ‘‘O que se ques­tio­na num ca­so co­mo es­se não é qua­li­da­de do ser­vi­ço pres­ta­do pe­la OS­CIP nem a com­pe­tên­cia dos pro­fis­sio­nais en­vol­vi­dos. A ques­tão é que es­se re­la­cio­na­men­to pró­xi­mo, da pri­mei­ra-da­ma e se­cre­tá­ria es­pe­cial de go­ver­no dá mar­gem pa­ra ­questionamentos’’, ana­li­sa.
  Bit­ten­court tam­bém apon­ta ou­tro pro­ble­ma.‘‘No Ter­mo de Par­ce­ria, a res­pon­sa­bi­li­da­de pe­la ava­lia­ção dos re­sul­ta­dos ob­ti­dos pe­la en­ti­da­de é do Go­ver­no do Es­ta­do. A ques­tão é sa­ber se, nes­sas cir­cuns­tân­cias, es­sa é uma fis­ca­li­za­ção ­eficiente’’, diz.
  A So­cie­da­de pos­sui um con­tra­to com a Se­cre­ta­ria de Es­ta­do da Cul­tu­ra (­SEEC) pa­ra ge­rir a ad­mi­nis­tra­ção do MON. ‘‘O pri­mei­ro Ter­mo de Par­ce­ria fir­ma­do en­tre a Se­cre­ta­ria e a So­cie­da­de é de 2004’’, in­for­ma o as­ses­sor ju­rí­di­co da ­SEEC, Aloí­sio Miecz­ni­kows­ki. O con­tra­to, se­gun­do Miecz­ni­kows­ki, pre­vê a ‘‘ad­mi­nis­tra­ção ­predial’’ do mu­seu.
  ‘‘É uma ques­tão bá­si­ca que os con­tra­tos pú­bli­cos res­pei­tem os prin­cí­pios da ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca de mo­ra­li­da­de e ­impessoalidade’’, apon­ta o ad­vo­ga­do, que ana­li­sou o ca­so, em te­se, por não co­nhe­cer os de­ta­lhes do Ter­mo de Par­ce­ria fir­ma­do en­tre a ­SEEC e a So­cie­da­de.
  Ques­tio­na­do so­bre o as­sun­to, o Mi­nis­té­rio Pú­bli­co do Es­ta­do (MPE) in­for­mou, atra­vés de sua as­ses­so­ria de co­mu­ni­ca­ção, que não há até o mo­men­to ne­nhu­ma in­ves­ti­ga­ção so­bre o ca­so.


Entenda o caso

Supostas irregularidades apontadas na OSCIP:


- O Ministério da Justiça (MJ) entende que servidores públicos não podem participar da diretoria - cargo responsável pela administração, gestão e representação judicial e extra-judicial da organização - de uma Oscip.

- Maristela Requião ocupa, desde julho de 2003, cargos em comissão no Governo do Estado, simultaneamente ao cargo de diretora-presidente (e, em 2007, presidente) na Sociedade dos Amigos do MON. Por conta disso, a entidade não poderia ser qualificada como Oscip.

- A contratação, pela SEEC, de uma entidade cuja representante legal é uma servidora pública seria supostamente irregular sob os princípios da administração pública de impessoalidade, moralidade, economicidade.

Fonte: Ministério da Justiça, advogados especialistas em Direito Administrativo.

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