Curitiba - Na próxima semana, o governo estadual deve extinguir a paraestatal Paraná Tecnologia (Paranatec), ligada à Secretaria da Ciência e Tecnologia. As funções da organização serão absorvidas pela secretaria e pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). A paraestatal foi criada durante a gestão do ex-governador Jaime Lerner (PFL).
De acordo com o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, é preciso definir como ficará a situação das entidades dependentes do Paranatec, como o Simepar (instituto de metereologia). ''Essa é a única pendência que falta para a extinção do Paranatec'', afirmou. Segundo ele, a paraestatal exerce a mesma atividade e tem os mesmos objetivos do Tecpar. ''O Estado acaba despejando uma quantidade de dinheiro à toa'', observou.
O governador Roberto Requião (PMDB) já anunciou que é contra a forma de gestão das paraestatais, ou Organizações Sociais Civis de Interesse Público (Oscips). Há cinco entidades assim no Estado: Paranacidade, Paranatec, Paraná Previdência, Paraná Educação e Eco Paraná, todas criadas no governo de Lerner. As Oscips são ligadas às secretarias de governo, mas tem autonomia em relação ao governo.
De acordo com o secretário de Ciência e Tecnologia, Aldair Rizzi, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) também apontou irregularidades na constituição da Paranatec. O problema estaria na gestão do Fundo Paraná, criado pela Lei nº 12.020, de 9 de janeiro de 1998, que financia projetos tecnológicos. ''Além disso, há uma orientação política para o governo retomar as decisões estratégicas'', disse Rizzi. Segundo ele, com a extinção da paraestatal, o governo vai cortar gastos. A folha de pagamento da paraestatal consome R$ 200 mil ao ano. ''Mas a intenção principal é retomar o poder de decidir'', relatou.
O fim da Paranatec não vai prejudicar as parcerias com a Fundação Araucária e o Tecpar, segundo Rizzi. ''Vamos continuar repassando 30% dos recursos para a fundação, importante na integração com a área acadêmica, e 20% para o Tecpar. A secretaria vai gerir os outros 50%, aplicando em projetos estratégicos'', acrescentou. A estimativa é que sejam aplicados R$ 22,5 milhões no setor de tecnologia neste ano.

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