Curitiba - Quatro deputados federais da bancada do Paraná aparecem na lista dos parlamentares que, na sessão plenária da última quinta-feira, se retiraram do Congresso Nacional imediatamente após registrar presença no painel eletrônico da Casa. A relação foi divulgada pelo jornal O Globo, no domingo. Os deputados federais do Paraná Dilceu Sperafico (PP), Ratinho Júnior (PSC), Gustavo Fruet (PSDB) e Wilson Picler (PDT) estão entre os nomes. Em entrevista ontem à FOLHA DE LONDRINA, Ratinho Júnior admite que episódios do tipo acontecem ''com frequência e com qualquer parlamentar'', mas que a situação se justificaria por conta das próprias regras da Câmara, que só pode dar início aos trabalhos no plenário com um número mínimo de parlamentares presentes - ao menos no registro exibido no painel eletrônico.
Ratinho Júnior conta que registrou sua presença e seguiu para reuniões na sua base eleitoral, com prefeitos da região metropolitana de Curitiba. ''Num dia sem votação, o parlamentar pode optar por ficar em Brasília ou na sua base eleitoral, se ele entender que é mais produtivo. O trabalho de um parlamentar não se resume ao plenário. Existem as comissões internas do Congresso Nacional, os trabalhos na base'', disse. Ele também afirmou que não tem preocupação em relação a um eventual desconto no seu subsídio mensal por conta das faltas. ''É um argumento completamente esdrúxulo. Registrar a presença por temer um desconto seria uma questão muito pequena. A gente registra para ter um número mínimo, para que a Casa possa funcionar.'' Os descontos variam de R$ 800 a R$ 1 mil, dependendo do número de votações.
Ratinho Júnior foi flagrado pelo O Globo no aeroporto em Brasília 22 minutos após ter registrado presença no plenário. Dilceu Sperafico, que registrou presença na sessão às 9h04 e estava no aeroporto às 10h33, também disse ontem à FOLHA que os parlamentares ''só cumprem com o que está previsto no Regimento Interno, que permite que haja um registro quando a pessoa passar por lá''. ''Naquela quinta-feira, por exemplo, eu fui pela manhã na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. Depois eu tinha que cuidar da minha base. Tinha reunião em Santa Terezinha de Itaipu. Não tenho que bater horário. Minha função é bem maior.''
Sperafico também ressaltou que as sessões plenárias estão marcadas de segunda-feira a sexta-feira, mas que as votações ''não acontecem sempre''. ''Num dia que a pauta está trancada por uma medida provisória, é certo que não vai ter votação. Mas, na terça-feira, por exemplo, ficamos votando até uma hora da madrugada de quarta-feira'', justificou.
A FOLHA não conseguiu falar ontem com o tucano Gustavo Fruet e o pedetista Wilson Picler. Fruet foi flagrado no aeroporto às 9h53 e havia marcado presença no plenário às 8h28. Já Picler - que assumiu o posto no lugar do prefeito de Londrina, Barbosa Neto - resolveu voltar ao plenário após ser flagrado no aeroporto.
O corregedor da Câmara, Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), saiu em defesa dos colegas. ''Marcar presença é regimental e para que haja deliberação. Mesmo porque, por acordo, é preciso no mínimo ter 257 deputados marcando presença no painel. Se houver votação nominal, ocorrem os efeitos administrativos (corte proporcional nos subsídios parlamentares). O parlamentar pode registrar, ausentar-se e correr o risco'', argumentou.

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