Se por um lado estão afinados na defesa de um trabalho técnico, por outro, deputados paranaenses que integram a CPI do Apagão Aérreo demonstraram ontem que o clima já é tenso na abertura dos trabalhos. A FOLHA conversou com os deputados André Vargas (PT) e Gustavo Fruet (PSDB), que, juntamente com Nélson Meurer (PP), representam o Paraná na comissão.
Representantes da base e da oposição ao governo federal, André e Fruet defenderam que a atividade da CPI seja essencialmente técnica no sentido de se apurarem as falhas que levaram o sistema aéreo a situações de colapso, desde outubro passado. Ao mesmo tempo, os parlamentares acreditam que será função do grupo propor alternativas que resolvam uma crise, por ora, aparentamente contornada.
Entretanto, as críticas ante uma suposta politização da comissão dominaram as respostas de ambos ante a expectativa de cada um aos trabalhos que serão desempenhados.
''Tenho uma visão otimista e uma pessimista em relação à CPI: otimista porque um acidente aéreo (da Gol, em setembro de 2006) foi o desencadeador, e não um crime, como na CPI dos Correios (recebimento de propina por parte de um funcionário da estatal, Maurício Marinho). Será um trabalho técnico, no sentido de apontarmos soluções'', afirmou. ''E pessimista porque a CPI começou mal, com uma tentativa da base em desqualificá-la e em sufocar a minoria - enfim, começou com clima ruim.''
Também membro da CPI, André foi na mesma linha de Fruet quanto às prováveis proposituras de natureza técnica. ''Porque é a chance de nos aprofundarmos nas necessidades do tráfego aéreo e ouvir todos os envolvidos para fazer um levantamento técnico com soluções.''
Ao mesmo tempo, o petista adotou o discurso de que há ''uso político da CPI'', por parte da oposição. ''É esse o clima: a oposição tentará fazer política, mas achamos que o grupo não pode ser palanque de quem perdeu a eleição de 2006.''

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