Paranaenses empregam parentes na Câmara
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terça-feira, 06 de março de 2007
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - De acordo com levantamentos divulgados recentemente pela imprensa nacional, pelo menos cinco deputados federais do Paraná mantêm parentes empregados no Poder Legislativo. Segundo estas pesquisas, os deputados Nelson Meurer (PP), Odílio Balbinoti (PMDB), Eduardo Sciarra (PFL), Luiz Carlos Setim (PFL) e Max Rosenmann (PMDB) empregam parentes.
Existiriam no total, conforme os levantamentos feitos pelo Correio Braziliense e Folha de São Paulo, mais de 60 casos de familiares de políticos nomeados na Câmara, que abriga 513 parlamentares. Seriam 16 filhos e 12 mulheres empregadas, além de irmãos, cunhados, primos e outros. Os salários variam de R$ 720,00 a R$ 8.040. A Folha de S. Paulo destacou na reportagem que o número de familiares localizados é subestimado porque a pesquisa só rastreou sobrenomes similares aos dos parlamentares, além disso vários deputados ainda não terminaram de nomear os assessores.
A prática do nepotismo (favorecimento de parentes, nomeados para cargos em comissão, para os quais não é necessário concurso público) não é ilegal, mas nem por isso agrada à opinião pública. No Paraná, o Ministério Público tem tentado combater a contratação de parentes há meses, mas a falta de uma lei específica dificulta o trabalho dos promotores.
No caso da Câmara Federal, o nepotismo é praticado através de contratações para cargos de secretário parlamentar nos gabinetes. Cada um dos deputados federais têm à disposição um total de R$ 50 mil para pagar secretários parlamentares, que os assessoram em diversas funções.
Em entrevista à FOLHA, na tarde de ontem, o deputado Eduardo Sciarra (PFL), que tem a cunhada da mulher em sua secretaria parlamentar, contestou sua inclusão na lista do nepotismo. Isso porque muitos anos antes de se tornar cunhada dele, Jaqueline de Godoy era sua funcionária de confiança. O deputado disse que ela trabalhou vinte anos em uma empresa de sua propriedade, e depois passou a trabalhar como secretária parlamentar. ''Ela já trabalhava na empresa há cinco anos quando conheceu o atual marido'', explicou Sciarra.
Segundo sua assessoria de imprensa, o deputado Odílio Balbinoti (PMDB) argumenta que o problema seria se os parentes fossem contratados mas não trabalhassem, o que não seria o caso em seu gabinete.
O cunhado de Balbinoti, Luiz Paiola, responde pela chefia de gabinete e trabalha há anos com o deputado federal. A opinião de Balbinoti sobre os parentes que trabalham é compartilhada por vários outros parlamentares. A FOLHA tentou ouvir os demais deputados citados nos levantamentos mas não conseguiu contato nem obteve retorno.


