Paranaenses elegem Filipe Barros e Deltan Dallagnol para o Senado
Londrinense será o senador mais jovem a ocupar o cargo na história do Paraná
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domingo, 04 de outubro de 2026
Londrinense será o senador mais jovem a ocupar o cargo na história do Paraná

O londrinense Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) são os senadores eleitos pelo Paraná nas eleições deste domingo (4). Com 99,9% das urnas apuradas, Barros contabilizava 3,1 milhões de votos (27,25%), enquanto o ex-procurador federal obteve 2,9 milhões (25,14%).
Barros e Dallagnol venceram outros sete candidatos a uma das duas vagas. O terceiro colocado, Alexandre Curi (Republicanos), conseguiu 16,85% dos votos e Gleisi Hoffmann (PT), 13,35%.
Entretanto, a situação de Deltan Dallagnol pode mudar o resultado, já que teve a impugnação de sua candidatura cassada neste domingo pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, em decisão monocrática. Assim, os votos no candidato são válidos, mas serão considerados nulos caso a decisão provisória seja cassada e a impugnação da chapa voltar a valer. Neste cenário, eleições suplementares para senador deverão ser convocadas
Londrina no Senado
Aos 35 anos, Barros se torna o senador mais jovem da história do Paraná. Eleito pela primeira vez vereador de Londrina em 2016, seguiu para a Câmara Federal já em 2018 e terminou seu segundo mandato como deputado federal, sempre alinhado ao bolsonarismo.
Barros considera o resultado deste domingo “gratificante”, ao mesmo tempo em que lhe entrega "uma responsabilidade muito grande," que é a confiança dos mais de 3,1 milhões que votaram nele. "Podem ter certeza que não decepcionarei não apenas quem votou em mim, mas todos os paranaenses", afirmou.
Ele ressalta, ainda, que sua presença no Senado vai devolver a Londrina o protagonismo no cenário político. "Finalmente, a cidade que eu nasci, que eu moro e que é a capital do interior, voltará a ter um senador."
Sua atuação terá duas prioridades. A primeira, segundo ele, e que o Paraná volte a ser ouvido para que seus problemas sejam solucionados, como a falta de energia elétrica em propriedades rurais que reclamam de perdas devido ao desabastecimento. "É função do senador cobrar a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para que pressione a Copel, mas também fiscalizar as concessões, como a própria distribuidora de energia e as concessionárias de rodovias", ressalta
A outra prioridade é a reforma do judiciário, "tão aguardada pelos brasileiros", e o impeachment de ministros que cometem irregularidades. Apesar de se referir aos membros do STF (Supremo Tribunal Federal) no plural, ele coloca Alexandre de Moraes como exemplo. "Está claro, para boa parte das pessoas, que ele cometeu abuso de poder, atropelou a lei inúmeras vezes", justifica
Pronto para batalhas
Em entrevista coletiva na sede do TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná), em Curitiba, Dallagnol chamou de “esdrúxula” a decisão que impugnou sua candidatura e reclamou dos 15 dias que ficou impedido de fazer campanha. “Ainda assim, o Paraná não se dobrou ao arbítrio, ao sistema, não se dobrou os poderosos. O Paraná ergueu sua voz e, agora, ela precisa ser ouvida no Brasil”, disse.
Com uma camiseta com os dizeres “eis-me aqui”, o senador eleito disse que foi eleito “para servir a Deus e à comunidade” e fez alusão aos personagens bíblicos Daniel, Davi e Gideão, que enfrentaram grandes desafios. “Brasília não tem leão, não tem gigantes, não tem um exército 500 vezes maior. Nós vamos derrotar todos aqueles que abusam do seu poder. Vamos derrotar Alexandre de Moraes, vamos derrotar os grandes corruptos. Vamos mudar o Brasil com esse mesmo espírito do povo paranaense”, profetizou.
Apesar do discurso, a cadeira de Dallagnol ainda não está completamente garantida, uma vez que a impugnação de sua candidatura, questionada juridicamente a pedido de vários partidos adversários, ainda será julgada pelo plenário do TSE. A cassação de sua candidatura foi derrubada por Kassio Nunes Marques no dia da eleição, em decisão provisória.
"A decisão de hoje [domingo] terá um impacto importante nas eleições ao Senado do Paraná”, aleta o advogado especialista em Direito eleitoral Dorival Assi. “O eleitorado pode acreditar que o indeferimento do registro de Dallagnol leva Curi ao Senado, porém, por se tratar de uma eleição majoritária, o indeferimento do registro posterior às eleições exigirá uma eleição suplementar”, alerta.
Uma das justificativas da decisão de Marques é que a cassação da candidatura às vésperas da eleição é muito grave e deveria ser decidida pelo plenário da Corte, o que deve ocorrer já na próxima semana. Porém, muitos especialistas veem a tendência de manter o indeferimento.
Para Assi, o que se sabe é que a disputa judicial não acabará tão cedo, uma vez que restam discussões pendentes acerca da validade jurídica da decisão de Marques.”A forma da decisão parece-me uma avocatória (quando um ministro chama para si a responsabilidade sobre um processo), o que não é permitido pela Constituição Federal, e pode ressuscitar a discussão se os votos são válidos ou não. A excepcionalidade das decisões desta eleição torna difícil uma análise definitiva do caso, pois muitas decisões não encontram precedentes ou amparo constitucional", conclui o advogado.
Suplente assume
A configuração da bancada paranaense no Senado vai mudar completamente a partir de janeiro de 2026. Isso porque Sergio Moro (PL), que teria mais metade do mandato pela frente, elegeu-se governador do Paraná neste domingo, deixando sua cadeira para seu primeiro suplente, Luís Felipe Cunha.


Luis Fernando Wiltemburg
Repórter de Cidades.



