Paranaenses divergem sobre impeachment
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sábado, 05 de dezembro de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba - Às vésperas da escolha dos membros que vão compor a Comissão Especial responsável por analisar o pedido de abertura de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, deputados federais paranaenses apresentam opiniões contrárias sobre o encaminhamento do processo. A criação da comissão, que será composta por 65 deputados, se deu após o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ler no plenário sua decisão de aceitar o inicio de processo de impeachment. Os partidos têm até as 14h de segunda-feira para indicarem seus representantes na comissão.
O deputado Marcelo Belinati (PP) afirma que mantém uma postura independente mesmo que seu partido faça parte da base aliada do governo. "Não há nenhum posicionamento partidário, tanto que existe uma divergência histórica entre a ala do PP do Nordeste, que normalmente faz parte do governo, e outra ala, do Sul, que compõe a oposição", destacou. Segundo ele, os próximos dias serão extremamente importantes para que todos os parlamentares tenham acesso às acusações que estão contidas no pedido lido por Cunha para poder formatar uma opinião mais clara. "São fatos muito graves e que têm que ser analisados com calma, se houve realmente a participação direta da presidente. Defendo que quem tiver culpa que pague pelo erro que cometeu", disse.
Já o vice-líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP), não vê um ambiente para um impeachment. Ele destaca que antes de qualquer decisão os parlamentares têm que ser cautelosos, mas reforçou seu posicionamento. "A abertura do processo cria uma paralisia que é nociva para a economia e para os outros setores do País. Como faço parte da base do governo, a tendência é manter o apoiamento."
Toninho Wandscheer (PMB), que deixou o PT há cerca de um mês disse que, a princípio, é contra o impedimento da presidente. "É algo muito sério, precisa ter provas consistentes e ser uma denúncia muito grave para mudar de ideia. Há realmente argumentos fortes para embasar o pedido?", questionou. O parlamentar ainda fez questão de frisar que sua saída do PT não foi baseada no mesmo assunto. "Foi uma decisão pessoal e não técnica."
Osmar Serraglio (PMDB) acredita ser ainda muito cedo para fazer qualquer aposta sobre o tema. Ele deixou claro ser a favor do impeachment, mas adiantou que não é uma posição fechada dentro da legenda. "Pelo contrário, há um racha sobre a questão no PMDB", afirmou. Ele ainda ressaltou que, da mesma forma, a bancada do Paraná está dividida. "A população está passando por um período de sacrifício, e não se vence determinados obstáculos sem promover mudanças."
O deputado Sandro Alex (PPS), que também é vice-presidente do Conselho de Ética da Câmara Federal, reforçou que, independentemente do processo de impeachment avançar na Casa, as investigações contra Cunha também vão prosseguir. O Conselho volta a se reunir na próxima terça-feira, depois de ter a sessão da última quarta-feira cancelada em mais uma das manobras do presidente da Câmara para adiar os trabalhos. "Não há nenhuma hipótese de que a decisão sobre o início do processo de impeachment modifique nosso trabalho", destacou. De acordo com o deputado, que apoia o impeachment, existe uma grande tendência de aprovação, no Conselho, pela admissibilidade do processo. "Tenho a impressão que a maioria dos brasileiros é a favor de abertura de processo de impeachment, mas também que a apuração contra o Cunha caminhe na Casa."


