Primeiro presidente do PMDB no Paraná e responsável pela transição quando do fim do bipartidarismo, o hoje secretário estadual dos Transportes, Waldyr Pugliese, faz coro ao sociólogo Ronaldo Baltar, de Londrina, quando a questão é o crescimento exacerbado da legenda, proporcional à perda de identidade. ''Antes, pelo menos aqui no estado, colocávamos todos os obstáculos necessários para evitar que pessoas que não partilhassem do nosso propósito fizessem parte da sigla. Foi assim que barramos, por exemplo, o (ex-governador) Haroldo Leon Peres. Agora reina a permissividade o que é esse (José) Sarney dentro do PMDB?'', reclama.
Pugliese construiu a partir de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) a trajetória política de prefeito, vereador, deputado estadual e federal. Diferentemente de décadas passadas, acredita, nunca a legenda esteve tão dividida e tão sem liderança nacional ainda que ''seja o maior partido brasileiro'', faz questão de ressaltar em mais de uma oportunidade.
O secretário lembra de alguns episódios que, a despeito do atual momento de racha entre peemedebistas, marcou positivamente a história do partido em território paranaense. ''Fomos às ruas em uma grande luta pela liberdade de opinião e conseguimos importantes marcos com a eleição ao Senado de (Francisco) Leite Chaves (em 1974, com mais de 50% dos votos de bancada) e José Richa (prefeito de Londrina em 1972 e eleito senador, pela primeira vez, em 1978). Foi uma árdua briga contra a repressão'', afirma.
Pugliese acredita que só uma reforma política nacional pode devolver não apenas ao PMDB, como aos demais partidos que sofram desse mal, a identidade perdida por interesses nem sempre públicos. ''Do jeito que está hoje, o PFL pode ter esquerdistas, e vice-versa aos partidos de esquerda. Quanto a nós, o desafio enquanto isso não chega é começar a trabalhar a formação de uma liderança nacional'', conclui.
Há 40 anos militante ''do velho MDB de guerra'', como gosta de afirmar, o vice-governador Orlando Pessuti vê a legenda como a ''trincheira onde todas as correntes políticas podiam discordar da Ditadura''. Mas ressalva que a inclusão do Partido Popular (PP), em 1981, foi um baque na descaracterização da proposta inicial do PMDB. ''E os problemas disso estão se refletindo agora a gente tem uma ponta de tristeza de analisar dessa forma, mas foi o que aconteceu'', diz. (J.G.)

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