Patrícia Zanin
De Londrina
Se depender dos deputados federais do Paraná, as emendas constitucionais que o presidente Fernando Henrique Cardoso encaminhou ao Congresso serão aprovadas. Consulta feita pela Folha junto à bancada mostra que os deputados são receptivos à cobrança dos inativos e ao subteto. Dos 30 deputados, sete atenderam a reportagem. Dois estão em viagem oficial fora do País – Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Werner Wanderer (PFL). Os outros não retornaram as ligações e alguns não foram localizados.
Ricardo Barros (PPB), vice-líder do governo na Câmara, disse ontem, de Brasília, que, mesmo sem conhecer detalhes das duas emendas – o parlamentar só teve acesso a elas no final da tarde – ‘‘certamente’’ vai votar ‘‘com o governo’’. ‘‘É preciso seguir a recomendação dos organismos internacionais e continuar mantendo a credibilidade’’, argumentou. Ele reconheceu que a matéria é de difícil aprovação. ‘‘Mas existe uma consciência sobre a necessidade de garantir o ajuste’’, apostou.
Max Rosenmann (PSDB) acredita que, mesmo impopular, a cobrança dos inativos precisa ser aprovada. ‘‘O Brasil precisa ter coragem política para resolver o problema da Previdência’’, argumentou. Em relação ao subteto, ele disse que significa ‘‘moralização no serviço público e o fim dos marajás’’.
Dilceu Sperafico (PPB) declarou, através de sua assessoria, ser favorável às duas emendas. Affonso Camargo (PFL) disse que, em princípio, vota com o governo. ‘‘É preciso consertar a Previdência’’, defendeu.
Nelson Meurer (PPB) aguardava o envio do texto das PECs para análise mais detalhada. Ele é favorável à emenda da Previdência, mas tem dúvidas sobre o subteto. ‘‘A aprovação propriamente dita é um capítulo à parte. A reunião com os governadores foi só um início’’.
Alex Canziani (PSDB) defendeu as duas emendas e acredita que elas serão aprovadas com facilidade. Mas acha que só serão votadas no próximo ano. ‘‘Existe toda uma tramitação’’, afirmou.
O único que manifestou tendência de votar contra a emenda dos inativos foi Gustavo Fruet (PMDB). ‘‘É um tema delicado, preocupante, mas estamos no quinto ano de governo e não no primeiro e as questões provisórias tendem a se tornar definitivas’’, criticou. Em relação ao subteto, ele deve ser favorável. (Colaborou Pedro Livoratti)

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