Curitiba - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banestado ficou impressionada com o nível de organização com que operações irregulares entre agências do Paraná e de Nova York eram feitas. Os deputados federais e senadores tomaram conhecimento dos detalhes ontem durante depoimentos do presidente e do relator da CPI do Banestado instalada pela Assembléia Legislativa do Paraná, Neivo Beraldin (PDT) e Mário Sérgio Bradock (PMDB).
Parte da reunião entre os deputados estaduais e os parlamentares foi secreta. Os deputados paranaenses ofereceram à CPI um disquete com os nomes de empresas que se utilizaram da cobrança ''pink'' (código de comunicação entre as agências do Banestado e Nova York que indicava documentação fria).
A cobrança pink foi considerada muito desenvolvida pelo presidente da CPI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT). Nas operações de comércio exterior, funcionários do Banestado anotavam em uma folha branca a exportação com valor menor e em um papel rosa, o valor real. A entrada de divisas acontecia pelo valor menor e a diferença era depositada fora do Brasil. ''Sabíamos que havia o superfaturamento das importações e o subfaturamento das exportações, mas a maneira como se operava isso, não'', declarou o relator da CPI Mista, José Mentor (PT-SP), através da Agência Câmara.
''Mostramos para a CPI Mista que o caminho está na quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos'', afirmou Beraldin. Segundo ele, a análise das auditorias feitas no Banestado revelam grande parte do esquema de remessa ilegal de dinheiro. Beraldin entregou vários documentos à CPI do Congresso. A investigação regional está bem mais adiantada do que a nacional. A CPI Mista recebeu várias informações novas e se surpreendeu com as declarações do deputado Bradock, que afirmou ontem que o Banestado virou ''uma grande lavanderia'' e que o banco foi levado à falência intencionalmente, com o objetivo de esconder as irregularidades.
A próxima ação da CPI Mista é um encontro com autoridades norte-americanas para ressaltar a necessidade de quebra de sigilo de contas que receberam depósitos originários do Brasil. Entre os dias 23 e 28 deste mês, um grupo de parlamentares deve se reunir com representantes do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e do FBI (polícia federal). O senador Barros e o deputado Mentor já receberam o apoio da embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak.

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