Arquivo FolhaTodos por umGrolli. ‘‘É
preciso engrossar
a manifestação,
fazer volume,
marcar presença’’Depois dos sem-terra e dos sem-teto, agora é a vez dos prefeitos protestarem em Brasília contra o governo federal. A marcha será entre os dias 19 a 21 de maio, mas já começa a ser organizada. No Paraná, a Associação dos Municípios pretende fretar ônibus e garantir a participação ‘‘do maior número possível de prefeitos’’. ‘‘É o tipo de função que não dá para delegar para assessor’’, argumenta o diretor-executivo da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Carlos Alberto Grolli.
O Estado tem 399 municípios. Grolli ainda não tem um levantamento de quantos prefeitos pretendem aderir à marcha, mas acredita que a entidade conseguirá mobilizar a maioria deles. ‘‘É preciso engrossar a manifestação, fazer volume, marcar presença e tentar garantir as reivindicações, já que a situação é muito difícil e, em alguns casos, desesperadora’’, diz.
Ao contrário dos sem-terra e dos sem-teto, que têm ido a pé à capital federal, os prefeitos vão de avião ou de ônibus. Grolli diz que a maioria dos prefeitos paranaenses recorrerá aos ônibus por falta de recursos para os vôos. A manifestação foi tirada no mês passado, durante um congresso de prefeitos realizado em Praia Grande (SP). ‘‘Em ano de eleição, uma manifestação como essa é muito importante’’, diz o diretor-executivo.
Entre as reivindicações estão a reposição das perdas causadas com a municipalização da Saúde e da educação, a recuperação dos valores do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e a compensação financeira para os municípios que criaram seus próprios fundos de Previdência. ‘‘Esse último item foi alvo de projeto aprovado pela Câmara, mas ele está emperrado no Senado’’, informa Grolli.
Os prefeitos também querem receber 100% dos valores do IPVA (Imposto sobre Propriedade dos Veículos Automotores), cujo repasse atual é feito 50% para os estados e 50% para os municípios, além de requerer o mesmo tratamento que os Estados estão recebendo ao renegociar suas dívidas com a União. A Confederação Nacional dos Municípios calcula em R$ 12 bilhões o débito das prefeituras de todo o País.
O diretor-executivo da AMP alerta que o papel dos municípios hoje se restringe a administrar os pacotes do governo federal. ‘‘A União repassou responsabilidades e encargos, mas os recursos não têm sido suficientes para cobrir as despesas. O governo precisa reconhecer e resolver o problema’’, cobra Grolli. O Brasil tem mais de 5 mil municípios. Para a marcha, os organizadores esperam reunir pelo menos 3 mil prefeitos.

mockup