Paraná terá CPI estadual contra drogas
Leandro Donatti
De Curitiba
A Comissão Especial de Investigação (CEI), criada pela Assembléia Legislativa do Paraná para auxiliar as investigações da CPI do Narcotráfico de Brasília, vai se transformar em Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na volta do recesso, em fevereiro. O anúncio foi feito ontem pelo vice-presidente da CEI, Algaci Túlio (PTB). A transformação, segundo Túlio, vai conferir mais poderes para os deputados estaduais apurarem a rota da droga no Estado.
Conseguiremos as 28 assinaturas necessárias com facilidade. A maioria esmagadora dos deputados quer que vamos fundo nessas investigações, avaliou. Algaci Túlio disse que a transformação da CEI em CPI só não vai ocorrer agora por uma questão de estratégia. O prazo de validade (120 dias prorrogáveis por mais 60) correria no recesso, o que tornaria mais escasso o tempo da nossa investigação.
Diferente de uma CEI, a CPI tem poder de polícia. Pode determinar diligências, ouvir indiciados, inquirir testemunhas sob compromisso, requisitar de órgãos e entidades da administração pública informações e documentos, tomar depoimento de autoridades estaduais e municipais, e requisitar os serviços de quaisquer autoridades, inclusive policiais. Além de solicitar a realização de sindicâncias em todo o Estado.
Precisamos de mais poderes para atuarmos, justificou Algaci Túlio. O vice-presidente da CEI que investiga o tráfico de drogas no Paraná disse que a comissão já recebeu inúmeras denúncias, que precisam ser apuradas. Com uma CPI poderemos avançar bastante. Um relatório bem feito pode servir de suporte para o Ministério Público responsabilizar civelmente e criminalmente os supostos envolvidos, assinalou o deputado estadual.
A CEI do Paraná vai ouvir na segunda-feira a traficante Shirley Aparecida Pontes, 33 anos, presa por agentes do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) de Curitiba anteontem, em Maringá. Shirley é apontada como um dos braços do traficante carioca Fernandinho Beira-Mar no Paraná. Estamos montando um esquema de segurança para tomarmos o depoimento desta mulher, considerada uma traficante bastante perigosa, informou Túlio.
Na operação dos agentes do Cope, Shirley foi presa com 1 quilo de cocaína pura. Além, dela estão detidos, em Maringá, Anderson Carlos Wincelewski, 19, e Ronaldo Neuci Klick, 34. Segundo os policiais, os dois estavam com Shirley no momento da prisão, misturando a droga com outras substâncias. O delegado do Cope, Mário Ramos, informou que além da CEI, a traficante será ouvida pela CPI do Narcotráfico. O depoimento em Brasília, entretanto, não tem data marcada.
Paralelamente à tomada de depoimentos que se inicia na segunda-feira a CEI do Paraná mantém diversos contatos com autoridades. Hoje, os deputados do Paraná baixam em Foz do Iguaçu para colher informações, junto aos procuradores da cidade, sobre processos envolvendo tráfico de drogas. Os deputados querem avançar ainda na investigação da lavagem de dinheiro, detectada pelo procurador da República de Cascevel, Celso Três. (Colaborou Luciana Pombo)Nova estrutura, que será criada em fevereiro, permitirá maior poder para averiguação de denúncias no Estado
Arquivo FolhaPROFUNDIDADEAlgaci Túlio: A maioria esmagadora dos deputados estaduais quer que vamos fundo nas investigações da rota da droga





