Paraná tem 50 municípios na lista dos sanguessugas
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segunda-feira, 24 de julho de 2006
Janaina Garciae Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
O Paraná aparece em segundo lugar no ranking das 502 prefeituras que mais receberam recursos pela chamada ''máfia dos sanguessugas'', com 50 municípios participantes do esquema. No topo da lista vem o Mato Grosso (MT), com 111 cidades, seguido por Minas Gerais (41), Rondônia (37) e Pará (32).
As prefeituras teriam recebido suborno da empresa de ambulâncias Planam para fraudar as licitações e comprar veículos para o município com recursos oriundos do Ministério da Saúde. A verba já estava confirmada por meio de emendas ao Orçamento da União feitas por parlamentares envolvidos no esquema. Ao todo, 112 deputados e senadores integravam a máfia da saúde, mas, desse montante, 57 tiveram os nomes divulgados e foram notificados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). Mesmo assim, segundo informações da Agência Câmara, a sub-relatoria de Sistematização e Controle e o vice presidente da CPMI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), defenderam ontem a ampliação do número de investigados - sobretudo em relação aos 99 nomes que atualmente cumprem mandato.
Os novos indícios para os trabalhos da CPMI começaram a chegar ontem, quando o sub-relator Carlos Sampaio (PSDB-SP) obteve junto à Polícia Federal a transcrição de conversas telefônicas mantidas entre os proprietários da empresa Planam, Luiz Antonio e Darci Vendoin, com parlamentares e assessores de parlamentares.
A lista com mais nomes de deputados, senadores e prefeituras brasileiras veio à tona neste final de semana em reportagens das revistas ''Época'' e ''Veja'', com base em depoimentos sigilosos prestados ao longo de duas semanas à Justiça Federal por Luiz Antonio Vedoin. Em troca de uma pena mais branda, ele revelou a extensão do esquema - muito acima dos 57 nomes iniciais. Dos 112, segundo ''Veja'', 60% pertencem à base aliada ao governo. Por outro lado, 35% dos deputados e senadores acusados cumprem a primeira legislatura. Já conforme a reportagem de ''Época'', o esquema teria iniciado em 2003, dentro do Ministério da Saúde - comandado à época pelo ministro Humberto Costa, atual candidato do PT ao governo de Pernambuco. Costa negou participação no esquema.
Desde o início, teriam sido movimentados pelos parlamentares cerca de R$ 110 milhões em negócios envolvendo a entrega e a compra de ambulâncias. Para comprovar as denúncias, Vedoin entregou cópias de transferências bancárias e depósitos feitos em contas de parlamentares, prefeitos e ''laranjas''.


