Paraná sofrerá corte de R$ 1 bi no orçamento
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terça-feira, 18 de agosto de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A crise econômica internacional será responsável pelo corte de cerca de R$ 1 bilhão no orçamento de 2009. O anúncio foi feito ontem pelo governador Roberto Requião
(PMDB) durante a escolinha, que é o encontro semanal do primeiro escalão do Executivo. O valor está dentro de um orçamento de aproximadamente R$ 23 bilhões, mas representa o mesmo tamanho do investimento que o governo estava prevendo para o ano inteiro. Ou seja, na prática, tirar R$ 1 bilhão dos planos do Estado significa cortar quase que integralmente a lista de investimentos. O problema seria a queda dos repasses federais.
Até agora, o Estado deixou de receber R$ 676 milhões da União, em comparação com o estimado para o período. Outra queda ocorreu na Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), o chamado imposto do combustível. O repasse ao Estado atualmente é 60% menor, em comparação ao mesmo período do ano passado, quando a crise financeira mundial ainda não tinha sido deflagrada. Não estamos saindo ilesos. A queda na economia do Paraná refletiu na receita. Houve uma redução acentuada no Fundo de Participação dos Estados, afirmou o secretário da Fazenda, Heron Arzua.
O secretário do Planejamento e Coordenação Geral, Ênio Verri, informou que a ideia é trabalhar em duas linhas: redução de despesa de custeio (contas de luz, telefone, viagem) e prorrogação de datas de entrega de obras. Paralelamente, nenhuma obra nova deverá ser iniciada. O objetivo seria concluir as obras em andamento, ainda que os prazos se estendam, mas não dar início a nenhum outro plano. Nossa expectativa é não começar nada. Apenas terminar o que começamos, disse Verri.
Não há uma relação exata de obras que vão deixar de ser feitas no ano. Mas só o conteúdo do programa de obras da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2009, consultado pela Reportagem, está distribuído em 35 páginas. Uma reunião que será conduzida hoje pelo vice-governador Orlando Pessuti deve resultar num plano de redução de despesa em todas as áreas. O governador Requião antecipou apenas que a reforma e restauração do Palácio Iguaçu, sede do Executivo em Curitiba, foi adiada. Ele também indicou que as obras nas estradas podem ser atingidas. Não vamos inventar coisas novas. Duplicações de estradas podem ser deixadas para depois, disse o peemedebista.
O governador acrescentou que a queda da Cide, recurso que é usado pelo Estado nas obras das estradas, será compensada via Detran (Departamento de Trânsito) para que as obras em andamento sejam concluídas. Na LOA de 2009, já há um artigo que autoriza o Estado a repassar recursos do Detran, até o limite de R$ 100 milhões, para o DER (Departamento de Estradas de Rodagem).
LOA
A possibilidade da crise financeira mundial afetar o orçamento do Estado surgiu no segundo semestre do ano passado, quando a proposta de LOA para o exercício de 2009 estava sendo discutida no Legislativo. Mas o governo não quis alterar as estimativas de receita e despesa do ano, o que na época gerou críticas da oposição. O Estado argumentou na ocasião que o tamanho dos efeitos da crise na economia era uma incógnita. Ontem, Verri admitiu que o plano orçamentário está excessivamente otimista.
O primeiro sinal concreto da crise ocorreu em abril, quando o reajuste salarial anual para os servidores públicos ficou ameaçado devido a um alerta da Fazenda. Também naquele mês, Requião chegou a pedir internamente que as áreas fizessem uma revisão das suas ações para o ano, devido à crise econômica.
O deputado Nereu Moura
(PMDB), relator da proposta de LOA para 2009, disse ontem que R$ 1 bilhão não é pouco, mas que não resta outra alternativa. De posse agora da realidade financeira, o jeito é se adequar. A única coisa que o governo pode cortar é investimento e custeio. O resto está amarrado, comentou. Já o líder da base aliada no Legislativo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), preferiu amenizar o anúncio do corte. Não haverá nenhum grande trauma, disse.


