Curitiba - A Controladoria Geral da União (CGU) está preparando uma megafiscalização nos principais municípios brasileiros para analisar todos os convênios considerados suspeitos e que tenham sido realizados entre o Ministério da Saúde e as prefeituras. Os convênios analisados serão prioritariamente aqueles oriundos de emendas parlamentares que visavam a compra de ambulâncias, equipamentos hospitalares e medicamentos. Os convênios com o Ministério de Ciência e Tecnologia para inclusão digital também serão analisados.
A intenção é buscar evidências de beneficiamento das empresas ligadas ao Grupo Vedoin (Planam, por exemplo) que gerenciava a chamada ''máfia dos sanguessugas'' e analisar as licitações públicas realizadas para descobrir se houve direcionamento ou superfaturamento.
Deverão ser analisados 1,6 mil convênios. No Paraná, pelo menos 50 prefeituras deverão ser alvo das fiscalizações da CGU. Elas foram citadas nominalmente nos depoimentos dos empresários ligados à Planam. Outras que não foram citadas, mas aparecem em documentações anexadas na CPMI dos Sanguessugas, também deverão ser fiscalizadas. Um projeto piloto da fiscalização foi feito em 60 municípios brasileiros para verificar a capacidade de análise da equipe técnica. No Paraná, quatro municípios foram alvo da fiscalização por amostragem na chamada 19 edição do Programa de Fiscalização por Sorteios Públicos.
Foram verificadas várias irregularidades nos convênios federais feitos com os municípios de Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), Palotina (96 quilômetros ao Norte de Cascavel), Arapongas (37 quilômetros a Oeste de Londrina) e Congonhinhas (55 quilômetros ao Sul de Cornélio Procópio). A intenção da CGU não era apenas a verificação dos convênios federais com saúde, mas de todos os convênios e transferência de recursos federais. Na Região Sul, o montante de recursos fiscalizados foi de R$ 47,4 milhões. Estes recursos foram repassados a 12 municípios.
Novas fiscalizações deverão ser feitas pela CGU nos próximos dias. O principal objetivo do trabalho é identificar os erros entre o que foi previsto e o que foi efetivamente realizado, tanto no que diz respeito a preços e especificações técnicas, bem como aspectos relacionados aos impactos para a saúde da população. Também poderão ser fiscalizados outros convênios para aquisição de unidades móveis de saúde nesses municípios.

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