Curitiba - ''Estamos entregando um Estado equilibradíssimo. Mas não haverá dinheiro sobrando em caixa.'' Com estas frases o governador Orlando Pessuti (PMDB) avaliou a situação financeira do Paraná ao fazer um balanço final de seu governo, ontem. Ele negou que haja qualquer deficit nas contas estaduais e afirmou que todos os compromissos, tanto de pessoal como de convênios e contratos, estão sendo honrados. No entanto, não soube informar qual valor estará deixando em caixa para o governador eleito Beto Richa (PSDB) que assume o cargo amanhã.
Pessuti avaliou seus nove meses à frente do Executivo paranaense afirmando que deixará ''um Estado melhor do que recebeu em 1º de abril (quando assumiu como governador) e muito melhor do que aquele de 1º de janeiro de 2003 (início do primeiro mandato como vice-governador de Roberto Requião)''. Ele anunciou que, graças à elaboração de três folhas de pagamento complementares (cerca de R$ 50 milhões), foram pagos todos os compromissos - promoções, progressões e passivos salariais - dos servidores estaduais, inclusive dívidas relativas a anos anteriores.
Fazendo uma comparação com o antecessor, o governador citou obras realizadas em sua gestão que foram autorizadas por Requião sem que houvesse dinheiro para a execução. ''Ele autorizou em cima de uma perspectiva de arrecadação que não aconteceu em 2009. Não vou dizer que foi uma irresponsabilidade dele.''
Como maiores frustrações no cargo, ele citou a não realização de melhorias na infraestrutura do Litoral do Estado. Mas, para isso, ele informou que deixará o Porto de Paranaguá com cerca de R$ 430 milhões em caixa, sendo cerca de R$ 100 milhões (80% do superavit) para obras na região.
'Nunca desisti de ser candidato'
Sobre as negociações do período pré-eleitoral, quando abriu mão de ser candidato a governador para formar a coligação PDT-PT-PMDB em torno do nome de Osmar Dias (PDT), Pessuti disse que nunca desistiu de ser candidato por promessa de cargos futuros. ''Se não foi possível em 2010, haverá de ser possível em 2014.''
Agora, o governador aguarda uma definição se irá ou não integrar o primeiro escalão do governo federal. ''Perdura as negociações e eu tenho sido procurado. Não está definido ainda. São diversas as sugestões e nós vamos avaliar a partir da primeira semana de janeiro.'' Ele citou como possibilidades a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Itaipu, Correios, cargos na diretoria da Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil ou um Ministério Especial da Copa da Mundo. No entanto, Pessuti disse que a escolha para um dos cargos não precisaria ser exclusivamente do seu nome, mas que Dilma Rousseff (PT) reconhecesse a importância do Paraná no contexto das últimas eleições.
Embora alegue que ''não passa pela cabeça'' disputar uma eleição para prefeito em 2012, Pessuti confirma já ter recebido diversos convites para 2mudar seu domicílio eleitoral e concorrer ao Executivo municipal de Ivaiporã, Maringá, Londrina e Curitiba. ''Pode ser que daqui um mês, dois ou seis, dentro de uma nova avaliação política, a gente possa incluir essa opção.''

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