Paraná se define com 1,6 milhão de votos
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sábado, 28 de outubro de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
Um total de 1.613.248 eleitores dos três maiores colégios eleitorais do Paraná voltam hoje às urnas para escolher seus próximos prefeitos. O resultado dessas eleições municipais, sejam quais forem os prefeitos e vices-prefeitos eleitos em Curitiba, Londrina e Maringá, vai provocar uma reordenação das forças políticas do Estado. Na Capital, 1.110.189 eleitores vão escolher entre a reeleição de Cassio Taniguchi (PFL) que tem como candidato a vice-prefeito Beto Richa (PTB) ou pela eleição do deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT) cujo vice é José Maurino (PPS).
No primeiro turno das eleições, Cassio conseguiu 43,97% (378.993 votos) e Vanhoni obteve 35,37% (304.902 votos) uma diferença de oito pontos percentuais. A disputa envolveu outros cinco candidatos, que somaram aproximadamente 20% das preferências do eleitorado curitibano. Os votos brancos e nulos somaram 7,04% e o índice de abstenção foi de 16,48%.
Em Londrina, depois do histórico processo de cassação do prefeito Antonio Belinati (PFL), os 299.309 eleitores dividem suas preferências entre Nedson Micheleti (PT) e Homero Barbosa Neto (PDT). O petista teve 64.705 votos no primeiro turno, o equivalente a 27,24% dos votos do eleitorado, contra 64.470 votos do pedetista, com 27,14% do total. O vice de Nedson é o candidato do PPS, Luiz Carlos Bracarense; enquanto o vice de Barbosa é Assad Jannani, do PPB.
Em Maringá, 203.750 eleitores voltam as urnas hoje. Os candidatos José Cláudio (PT) e Dr. Batista (PTB) disputam o segundo turno no município. No primeiro turno, o petista obteve 40.663 votos, representando 25,24% do total. O petebista garantiu 39.281 votos, o equivalente a 24,67%. O vice de José Cláudio é João Ivo Caleffi, também do PT, e o de Dr. Batista é Décio Sperandio, do PDT. Os dois vices são professores.
A chegada de candidatos de partidos de esquerda nos três maiores colégios eleitorais do Estado, e a vitória de Péricles Mello (PT), em Ponta Grossa, comprovam que a opção por uma campanha light agradou os eleitores dessas agremiações. Os partidos que dão sustentação ao governo Jaime Lerner (PFL) tiveram dificuldades para vencer no primeiro turno.
Para garantir tranquilidade ao pleito, a Polícia Militar vai colocar 3,6 mil homens nas ruas hoje. Em Curitiba serão 2.800 policiais, além daqueles que estarão de prontidão nos quartéis da cidade. O mesmo acontecerá em Londrina e Maringá, que, respectivamente, terão 440 e 400 policiais destinados especificamente para trabalhar nos locais de votação e na apuração.
Um dos auditórios da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) vai servir de centro de operações das polícias Federal e Militar. O local funcionará como o centro de triagem das poessoas detidas por fazer boca-de-urna. No primeiro turno foram registradas 810 ocorrências em todo o Paraná, 83 delas em Curitiba. Em Londrina, o cadeião eleitoral vai funcionar no Ginásio Moringão. Em Maringá, os detidos serão encaminhados para o Fórum.
Anteontem, na preparação do efetivo destacado para trabalhar em Maringá, o mais preocupado com ocorrências era o comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Gilberto Kummer. Segundo ele, a expectativa é de efetuar muitas prisões, a exemplo do que ocorreu no primeiro turno, quando 400 pessoas foram detidas fazendo boca-de-urna. Elas passaram dos limites e achamos que agora não vai ser muito diferente, apesar de não ter candidatos a vereador, alegou.
Além do prédio do Fórum, a PM está preparada para destinar o pátio do Colégio Marista e, se necessário, até o pátio do quartel, explicou Kummer. Apesar do receio do comandante da PM, o juiz eleitoral Waldemar Pereira da Costa espera um pleito tranquilo.
Em Londrina, o juiz eleitoral Dimas Ortêncio de Melo informou ontem que a polícia está de prontidão para coibir abusos. Não permitiremos infração à lei eleitoral, afirmou. Mesmo se os boatos de que viria gente de fora para fazer boca-de-urna se confirmarem, a polícia está preparada para agir. As polícias Federal e Civil também estarão de prontidão, informou o juiz.
Melo disse esperar um pleito tranquilo, assim como ocorreu no primeiro turno em Londrina. Mas se houver problemas, cabe muita gente no Moringão, disse ele, referindo-se ao ginásio de esportes para onde serão levadas as pessoas que forem detidas fazendo boca-de-urna ou cometendo qualquer outra infração à lei eleitoral. Além de policiais, estarão no Moringão juízes e promotores. (Colaborou Patrícia Zanin, de Londrina)


