O segundo protesto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff realizado ontem em Curitiba reuniu 40 mil pessoas no centro da Capital, a metade do número de manifestantes que participaram do ato no dia 15 de março. A estimativa é da Polícia Militar (PM). Já os organizadores da marcha calcularam 70 mil pessoas. A principal reivindicação dos curitibanos foi a saída da presidente do governo. O protesto foi pacífico e não foi registrado nenhum incidente.
A PM informou que, no Estado todo, foram 70 mil manifestantes. Entre os municípios estão Maringá, com 6 mil; Cascavel, com 3 mil; Francisco Beltrão, com 4,8 mil, Foz do Iguaçu e Paranavaí, com 1,2 mil em cada cidade, mas houve registros de protestos com públicos mais modestos, como 400 pessoas (Toledo), 100 (Astorga), 50 (Umuarama) e até três pessoas (Tapejara).
Para Cristiano Roger Pereira, um dos organizadores do protesto de Curitiba, integrante do Movimento Curitiba Contra a Corrupção, o número de participantes da manifestação foi superior aos 30 mil estimados inicialmente. "Acreditamos que este protesto não foi tão bem divulgado como o de 15 de março", justificou.
Novamente a marcha na Capital contou com a participação de muitas famílias e crianças. O protesto iniciou com concentração na Praça Santos Andrade e o verde e amarelo das camisetas e bandeiras dominou o cenário. Os organizadores utilizaram três carros de som durante o protesto.
No local, havia diversos tipos de faixas, principalmente pedindo o impeachment da presidente e em apoio ao juiz Sérgio Moro, que conduz as investigações da Operação Lava Jato contra o escândalo de corrupção na Petrobras. Os cartazes exibiam mensagens como "Fora elite vermelha", "Políticos parasitas", "Fora Lula, fora comunista", "Dilma, peça delação premiada", "Petrobras, de orgulho nacional à vergonha mundial". Um manifestante usava uma camiseta bem humorada com a frase "Je Suis Coxinha" (sou coxinha, traduzido do francês) em alusão à ideia de que quem não é PT, é coxinha. Havia faixas também contra o ministro do Supremo Tribunal Federal e ex-advogado do PT, Dias Toffoli, pedindo a saída dele.
Por volta das 15h30, os manifestantes cantaram o Hino Nacional e depois seguiram em marcha até a Boca Maldita. A maior parte dos manifestantes seguiu pela Marechal Deodoro, mas outros caminharam pela Rua XV de Novembro. As palavras de ordem mais ouvidas foram "Fora, Dilma!","Fora,PT!". "Lula ladrão, chefe da corrupção". Os manifestantes também entoaram cantos como "Fora PT. A nossa bandeira jamais será vermelha".
O representante comercial Ângelo Costi contou que foi ao protesto pela indignação com a classe política, a ideologia atrasada e o populismo do governo. "Estou aqui para protestar contra a situação econômica do País e exigir que os culpados devolvam o nosso dinheiro da Petrobras", protestou a empresária Márcia Pereira.
Por volta das 17 horas, alguns manifestantes não aprovaram críticas feitas pelos organizadores a um grupo que defendia a ditadura militar e iniciou um tumulto na Boca Maldita. Os que pediam intervenção militar xingaram quem estava no carro de som. Para os organizadores da marcha, os defensores da intervenção militar são minoria. Por volta das 15h30, o vereador professor Galdino (PSDB) teria sido identificado por manifestantes e convidado a se retirar do ato. Segundo informações da PM, o vereador teria sido agredido por não querer deixar o ato. Ele não teve ferimentos graves, mas lavrou Boletim de Ocorrência.

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