Da Redação
Lideranças paranaenses encararam com respeito e poucas críticas o anúncio da volta do ex-presidente Fernando Collor de Mello à vida pública. Collor, que renunciou em 1992 para escapar do processo de impeachment, ocupou anteontem dois minutos do horário eleitoral gratuito para declarar que pretende disputar a Prefeitura de São Paulo, no próximo ano. Ele pretende sair candidato pelo desconhecido Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB).
‘‘Tenho orgulho de dizer que o presidente sempre me pediu coisas corretas e exequíveis, de forte cunho social. A imagem que tenho dele é oposta à da opinião pública. Guardo a imagem de eficiência e idoneidade’’, argumentou ontem o prefeito de Pato Branco, Alceni Guerra (PFL), que foi ministro da Saúde de Collor. ‘‘Essa candidatura vai dar a chance para que ele possa dar a sua versão’’, argumentou Guerra.
O ex-collorido Tony Garcia, deputado estadual pelo PPB, disse ontem que o ex-presidente já passou pela penitência política, com a suspensão de seus direitos políticos, e volta mais maduro para a vida pública. ‘‘Ele era muito menino, muito prepotente, mas parece que está mais maduro e tem todo direito de voltar.’’ Tony Garcia acredita, no entanto, que Collor enfrentará dificuldades em seu retorno. ‘‘Embora tenha sido inocentado, viveu uma campanha massacrante desde 92. Não teve paz.’’
Para a governadora em exercício Emília Belinati (PTB), se no processo democrático Collor tem garantias legais de poder disputar novamente um cargo político, caberá ao eleitor julgá-lo nas urnas. Pensamento semelhante tem o prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi (PFL). ‘‘Uma vez cumprido o prazo de cassação de seus direitos políticos, pode, como qualquer outra pessoa, concorrer, mas cabe à consciência popular reabilitá-lo ou não’’, disse Cassio, através de sua assessoria.
Já na opinião do ex-deputado federal Nedson Micheleti (PT), que na época do impeachment respondia pela secretaria geral do Sindicato dos Bancários e promoveu passeatas pró-impeachment, a volta de Collor representa um atraso na política do País. ‘‘Espero que ele não tenha sucesso porque se for bem aceito, será o caos e mostrará que, de fato, não conseguimos deixar claro para a população o quão nefasto é conviver com uma pessoa corrupta como ele, que usou do poder para benefício pessoal.’’
Para Micheleti, a possibilidade de vitória de Collor nas urnas no próximo ano representará a derrota do movimento sindical, dos partidos de oposição e das mobilizações populares. ‘‘Será culpa nossa e mostrará que não soubemos apresentar uma alternativa diferente’’, analisou. (P.Z.)

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