Dos 30 deputados que representam o Paraná na Câmara Federal, em Brasília (DF), apenas cinco querem a instalação de uma Comissão Parlamentar de inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção envolvendo o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. O número foi confirmado pela assessoria da liderança do PT no Senado, que tem feito um monitoramento diário das novas adesões de parlamentares ao requerimento que pede a abertura da CPI.
Até sexta-feira, a oposição contabilizava a assinatura de 25 senadores e 144 deputados, de todos os estados brasileiros e representações partidárias. Para aprovar a comissão mista, é necessário o apoio de 27 senadores e de 170 deputados. As lideranças petistas na Câmara e no Senado não divulgam a lista com o nome dos parlamentares que aderiram à CPI para evitar o assédio do governo aos dissidentes.
Dos deputados paranaenses consultados pela Folha, quatro confirmaram a assinatura no requerimento: os petistas Padre Roque Zimmerman e Florisvaldo Fier, o doutor Rosinha, o pemedebista Gustavo Fruet e Rubens Bueno, do PPS. Outro nome certo é de Affonso Camargo, do PFL – seguindo tendência do grupo de pefelistas rebeldes liderados pelo senador baiano Antonio Carlos Magalhães.
Se os outros 25 deputados do Paraná resolvessem seguir os colegas e aderissem à CPI, a oposição na Câmara alcançaria o número de 169 assinaturas – faltando apenas duas para instalar a comissão. No Senado, dos três senadores paranaense, apenas Roberto Requião (PMDB) assinou. Se os tucanos Alvaro e Osmar Dias também contrariassem o partido e seguissem o pemedebista, a oposição completaria as 27 assinaturas necessárias para instalar a comissão.
Para o deputado Padre Roque, não só os paranaenses mas toda a Câmara deveria assinar a CPI. ‘‘Os crimes denunciados desde o início do governo FHC não podem ser jogados para baixo do tapete’’, criticou. ‘‘O dinheiro que saiu dos cofres públicos poderia resolver metade dos problemas sociais do País’’.
O petista condenou a postura do governo. ‘‘É repugnante. Onde já se viu um presidente telefonando para os deputados e dizendo para eles não assinarem a CPI? E o pior é que isso não é um comportamento novo’’, esbravejou.
O PT já recorreu à consulta popular como forma de pressionar a instalação da comissão, realizando um abaixo-assinado em todo o País. ‘‘E ainda vamos colocar nos principais municípios um painel com o nome dos deputados que são contra e a favor’’, avisou.
Dr. Rosinha (PT) também seguiu os colegas de partido e assinou a lista. ‘‘Sou favorável porque inúmeras denúncias precisam ser investigadas, como a do Banco Econômico, onde já foram constatadas irregularidades. A do Banpará também. Isso não pode passar em branco’’. Fier disse que o importante é ‘‘investigar para poder punir, senão acaba indo tudo para o armário’’.
Os argumentos do deputado Gustavo Fruet (PMDB) são semelhantes. ‘‘Faz parte do nosso papel fiscalizar, por isso assinei’’. Fruet ressalva que o apoio à CPI não deveria servir como ‘‘caça às bruxas’’. ‘‘Uma CPI não pode ser instrumento de constrangimento para identificar quem é aliado ou adversário. O objetivo das investigações é separar o que são denúncias reais e o que é joguete político’’, disse.
‘‘Não tenho dúvida de que essa CPI é necessária. Se há denúncia, é preciso que ela seja apurada. E o volume de acusações só é grande porque o governo desde o início já deveria ter apurado e não apurou’’, afirmou Rubens Bueno. Para ele, Fernando Henrique Cardoso corre o risco de entrar para a história do País como ‘‘o presidente que mais acobertou e deixou de apurar denúncias de corrupção’’.
O deputado considera que o placar desfavorável à instalação da CPI só vai persistir enquanto a sociedade não sair às ruas exigindo a investigação. Quando isso ocorrer, ele destaca, o governo não terá mais como segurar os deputados. ‘‘Esta casa ouve o clamor da rua’’, enfatizou, lembrando de apoios recentes, como os dos estudantes da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Bueno também não poupou críticas ao discurso governista de que a instalação da CPI poderia trazer reflexos na saúde econômica do País. ‘‘Isso nunca ocorreu em lugar nenhum do mundo. A crise é a da democracia, que não pode conviver com a corrupção’’.

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