Paraná pode perder investimentos do Japão
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terça-feira, 03 de dezembro de 2002
Maigue Gueths<BR>Equipe da Folha 
Curitiba O governo do Estado corre o risco de perder o restante do financiamento acordado junto ao governo japonês para obras de abastecimento de água e coleta de esgoto na Região Metropolitana da Curitiba, caso o governador eleito Roberto Requião (PMDB) não retome o processo das três licitações internacionais para o setor até março. Os processos, cujas propostas de preços seriam abertas nos dias 5 e 9 de dezembro, foram adiados a pedido da equipe de transição de Requião.
A informação de que o atraso nas obras pode levar a uma ''retração do governo japonês'' foi dada ontem pelo presidente da Sanepar, Carlos Afonso Teixeira, durante a entrega da primeira fase das obras de ampliação dos sistemas de esgoto sanitário de Curitiba e parte da região metropolitana. Teixeira explicou que o adiamento das licitações terá que ser oficializado junto ao governo japonês, e este já teria anunciado que irá constar, no documento, que a liberação dos recursos será condicionada à retomada das obras até março.
''Essas concorrências têm que acontecer. São obras importantíssimas que não podem parar. Nós só atendemos mais um pedido da equipe de transição com a condição de que o futuro governador assumisse as responsabilidades sobre as perdas que possam acontecer'', disse o governador Jaime Lerner (PFL). A decisão de suspender as licitações foram tomadas pelo governador no dia 28, mas só depois que a comissão de transição recebeu uma carta assinada pelo irmão do governador eleito, Maurício Requião, assumindo as consequências.
As obras de abastecimento de água e coleta de esgoto paralisadas fazem parte do programa ParanaSan, iniciado em 1998. O processo de pré-qualificação de empresas nas três concorrências foi iniciado em setembro de 2001. No abastecimento de água, prevê a ampliação da rede de distribuição de água na região sul de Curitiba. As outras duas licitações tratam da ampliação da rede coletora de esgoto em municípios da Região Metropolitana de Curitiba.
Até agora, o programa ParanaSan garantiu investimentos de R$ 353 milhões ao Paraná, em melhorias no abastecimento de água e coleta de esgoto. Outros R$ 480 milhões estão previstos para serem aplicados até dezembro de 2004.
O porta-voz da equipe de transição, o vice eleito Orlando Pessuti (PMDB), foi procurado ontem pela Folha para comentar as declarações de Teixeira, mas não atendeu as ligações feitas para seu celular. Em entrevista recente, porém, Pessuti disse que o PMDB assumirá a responsabilidade pelas suas ações. Hoje pela manhã a equipe de transição peemedebista tem reunião marcada para elaborar um cronograma de encontros com o governo até o dia da posse, no 1º de janeiro. (Colaborou Maria Duarte)


