O governo do Paraná está tentando viabilizar um empréstimo-ponte de R$ 1,2 bilhão junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O governador Jaime Lerner (PFL), e os secretários Giovani Gionédis (Fazenda), Miguel Salomão (Planejamento) e Renato Follador (Assuntos Previdenciários) passaram a manhã ontem no Rio de Janeiro em reunião com o presidente da instituição, André Lara Resende. O socorro financeiro foi requisitado pelo governo um dia depois de Lerner baixar um pacote de contenção de despesas.
Oficialmente, o dinheiro será injetado no Fundo de Previdência, cuja criação deverá estar autorizada pela Assembléia Legislativa até 15 de dezembro próximo. O presidente da Casa, Aníbal Khury (PFL), disse ontem que R$ 520 milhões do total estão reservados para o pagamento de salário e de 13º dos servidores públicos estaduais, e para saldar pendências financeiras com obras e aluguéis em atraso. O BNDES não se manifestou ainda sobre o pedido. O governo tem nova rodada de negociações na próxima sexta-feira.
O primeiro contato da equipe de Lerner com a cúpula do BNDES foi para apresentar o teor da mensagem que cria o Fundo. Renato Follador explicou item por item para os técnicos do Banco. A idéia do governo é antecipar receitas, colocando em garantia ações da Copel e da Sanepar. Lerner já havia anunciado a sua intenção na última segunda-feira, quando baixou o pacote. O governador não deixou transparecer, no entanto, que a estratégia seria colocada em prática antes da aprovação da mensagem pelos deputados.
No início da noite, o Palácio Iguaçu distribuiu nota confirmando o pedido de antecipação de recurso. Lerner disse via assessoria que ‘‘a proposta do Fundo foi bem recebida’’. ‘‘Quanto mais rápida for a antecipação da liquidez, mais rapidamente reduziremos as despesas com pensionistas e inativos’’, declarou. Na nota, o governador não faz menção à declaração de Khury, dando conta que parte do empréstimo será utilizada para colocar o caixa em ordem. A assessoria de Lerner negou informalmente a destinação, na metade da tarde, mas outras fontes ligadas ao governo confirmaram. O deputado estadual Angelo Vanhoni (PT) usou a tribuna à tarde para criticar o pedido de socorro financeiro.

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