A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado deve receber hoje parte das respostas do governo do Paraná ao pedido de informações feito pelo senador Roberto Requião (PMDB), sobre o endividamento do Estado. Mas o governo antecipou ontem que deixará de responder o item mais polêmico, que pede os detalhes das negociações que trouxeram as montadoras Renault e Chrysler para a região metropolitana de Curitiba. O documento com as respostas será entregue ao Senado pelo chefe da Casa Civil, Giovani Gionédis.
A entrega do relatório é a exigência que a comissão fez para dar andamento à votação que autorizará o governo do Estado a tomar dinheiro no Banco Mundial (Bird). O empréstimo solicitado é de US$ 175 milhões. O dinheiro financiará o programa Paraná 12 Meses, que incentiva os pequenos produtores rurais
Gionédis disse que excluiu as informações da Renault porque elas são ‘‘sigilosas’’, já que envolvem negociações com o Banestado. Quanto à Chrysler, ele explicou que ainda não foi fechado o acordo, apenas se assinou um protocolo de intenções.
O governo alega que nenhum outro Estado divulgou os critérios adotados para atrair empresas estrangeiras. Como exemplo, são citados os casos da Mercedes-Benz, em Minas Gerais; da Volkswagen, no Rio de Janeiro, e da General Motors, nos Estados de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Sem a resposta completa, o governo do Estado corre o risco de ver encalhada a autorização do empréstimo. O alerta é do senador Osmar Dias (sem partido), que disse ser ‘‘difícil’’ a comissão aceitar meias explicações. ‘‘Estamos num momento em que a comissão está sendo extremamente rigorosa’’, afirmou Dias. O rigor foi acentuado face às denúncias de mau uso do pagamento de precatórios por parte de alguns Estados, como Santa Catarina e Alagoas, fato que gerou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
Dias não quis comentar a atitude de Requião de impedir a votação que autoriza o empréstimo. O senador lembrou que deu parecer favorável ao pedido. ‘‘Tomei como base a orientação do Banco Central, que aprovou a operação’’, afirmou. O senador disse que pode mudar seu parecer, caso as diligências pedidas por Requião comprovem que o Estado não tem capacidade de endividamento.

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