Mais de 1,3 milhão de eleitores paranaenses teriam recebido ofertas de compra de votos nas eleições de 2006 por parte de candidatos e cabos eleitorais. O índice, que representa 22% dos eleitores pesquisados, é o maior do país. Os números são da pesquisa realizada pelo Ibope para a organização não-governamental (ONG) Transparência Brasil e União Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon), divulgada ontem.
Segundo a pesquisa, 8% dos 2 mil eleitores pesquisados em 142 municípios de todo país, relataram que durante a campanha eleitoral de 2006, receberam oferta de dinheiro ou algum bem material em troca do voto. O número equivale a 8,3 milhões de pessoas - 8,25% do eleitorado brasileiro -, contingente de eleitores maior do que a soma de todos os votos depositados nos estados de Roraima, Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia, Sergipe, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Amazonas. Em 2002, o índice foi de 3%.
''Em nenhum lugar as ofertas de compra de votos por dinheiro, alimentos, vestuário, material de construção, etc., foram tão frequentes quanto no Paraná - espantosos 22% das pessoas pesquisadas relataram ter recebido convites para vender seu voto, o equivalente a 1,313 milhão de eleitores, o que, praticamente sozinho, elevou a média da região Sul a 12%'', diz trecho da pesquisa.
Conforme a pesquisa, os estados do Sul lideram o ranking seguidos pelo Nordeste (10%), Sudeste (6%) e Norte/Nordeste (5%). ''A pesquisa demonstrou que o problema está se agravando de forma catastrófica. A compra de votos está muito provavelmente influenciando as eleições para qualquer cargo'', disse o diretor executivo da Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo.
A pesquisa não indicou para qual cargo essas pessoas foram instadas a vender seus votos, nem se elas chegaram a cometer o crime. ''Mesmo que parte dos convites possa ter sido rechaçada, ainda assim os números seriam suficientes para alterar radicalmente o resultado das eleições. É lícito especular que entre governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais/distritais, centenas tenham sido eleitos porque compraram votos. Como consequência, outros tantos candidatos, que não recorreram ao expediente, deixaram de ser eleitos'', conclui o relatório.
As ofertas de dinheiro vivo corresponderam nacionalmente a 4%. A região mais afetada foi a Sul, com 8% (quase todos no Paraná - o percentual calculado no Estado foi de 18%) e a Nordeste (6%).
A pesquisa também revelou que o recebimento de ofertas de compra de votos distingue-se pouco pela renda. Entre os que declararam ter recebido propostas, o porcentual entre os que têm rendimento de 1 a 2 salários mínimos e os que recebem mais de 10, ficou empatado em 7%. A escolaridade também não influencia. Entre os pesquisados com escolaridade entre a 5 e 8 série, o índice ficou em 11%, seguido pelos de nível superior, com 10%. ''Quanto mais jovem o eleitor, mais vulnerável ele é às ofertas de compra de votos'', diz a pesquisa.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, contestou a pesquisa. ''Não houve um aumento, simplesmente nós tivemos uma transparência maior. As coisas estão aflorando'', disse. Mello também rebateu a crítica de que os órgãos públicos não atuaram de forma adequada contra essa prática. ''(O TSE) tomou (providências) nos casos concretos, devidamente denunciados. Atuou com punho de aço, muito embora com luva de pelica, rejeitando registros, rejeitando candidaturas.'' (Com Folhapress)

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