Paraná lidera ranking de denunciados
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de dezembro de 2000
Patrícia Zanin De Londrina 
O Paraná lidera o ranking dos citados pela CPI do Narcotráfico da Câmara dos Deputados, superando estados como Rio de Janeiro e São Paulo. Dos 828 indiciados pela CPI, o Paraná tem 110 nomes (13% do total) contra 85 do Rio e 31 de São Paulo. Depois do Paraná e do Rio, os estados com maior número de acusados pela comissão por envolvimento com o crime organizado são Acre e Espírito Santo, com 69 nomes cada um.
Em quinto lugar vem o Pará, com 35 nomes, seguido de São Paulo, com 31, Alagoas, com 29, e Piauí, com 16. Outras 13 pessoas foram indiciadas em Goiás, 10 em Pernambuco, oito no Amapá, sete no Ceará, quatro no Rio Grande do Sul, duas no Mato Grosso e uma em Minas Gerais. O levantamento é parcial inclui 15 estados e foi desenvolvido pela Folha com base em relatórios da Agência Estado, repassados pela CPI do Narcotráfico.
Anteontem, a Folha revelava, com base em dados da comissão, que o Paraná tinha 104 indiciados. Mas o número subiu porque a lista divulgada não contabilizava em separado o nome de seis donos de empresas citadas pela CPI. O novo número de paranaenses citados pela comissão, porém, não é definitivo e pode subir. Isso porque a comissão deixou de citar, em seu relatório, os responsáveis por duas casas de câmbio: Serve-Ten e Ortega.
Os nomes, não relacionados na lista, devem aparecer nas investigações do Ministério Público (MP). Segundo a assessoria do deputado federal Roque Zimmermann, o Padre Roque (PT), a comissão não teve tempo de chegar aos donos das empresas.
Além de o Estado aparecer como o que mais tem indiciados, chamou a atenção o fato de o Paraná revelar várias autoridades da área de segurança citadas pela CPI como o ex-secretário de Segurança Pública Cândido Martins de Oliveira e o ex-delegado-chefe da Polícia Civil João Ricardo Kepes Noronha. Eles apareceram na lista sob acusação de envolvimento com o narcotráfico, crime organizado, roubo de cargas e lavagem de dinheiro. Noronha também por desacato à CPI e Cândido respondendo ainda por furto, desmanche de veículos, concussão, extorsão, corrupção passiva e ativa.
Também consta da lista o ex-delegado do Centro de Operações Policiais Especiais Mário Ramos, acusado de envolvimento com desmanches e o crime organizado, além de corrupção passiva e ativa.
Com base na lista da CPI, a Folha constatou ainda que o nome do ex-delegado operacional da 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa, Cássio Dênis Wzorek, apareceu erroneamente duas vezes. A assessoria de Padre Roque informou que os nomes foram fechados pelo relator da comissão, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), com base nas investigações da própria comissão e também em informações do MP.
Dos 110 nomes do Paraná, pelo menos 60 já constam de investigações da promotoria que, inclusive, ofereceu denúncia contra vários dos acusados.
Na lista divulgada pela Folha ontem deixou de constar o nome de Paulo Rogério Torques Becker, indiciado por narcotráfico, crime organizado, roubo de cargas e lavagem de dinheiro.


