Grupo de Lerner e pefelistas temem perda de espaço do Estado na equipe de FHC
Arquivo FolhaJoão Elísio: ‘‘Temos que pensar como paranaenses’’Escaldados com a ação dos senadores paranaenses no episódio dos empréstimos internacionais, que levaram quase um ano para ser autorizados pelo Senado, o grupo do governador Jaime Lerner e seu partido, o PFL, estão afinando o discurso pró-Greca para manter o ministro paranaense no Ministério do Esporte e Turismo e neutralizar seus adversários.
O presidente do diretório regional PFL, ex-governador João Elísio Ferraz de Campos, está convencido que o Paraná não consegue fazer o sucessor se o ministro Rafael Greca deixar o ministério, por conta da crise dos bingos. ‘‘Quem vai perder será o Paranᒒ, disse ontem à tarde o dirigente, idealizador de uma campanha interna para ‘‘segurar’’ Greca.
Segundo João Elísio, a pressão demonstrada pelos senadores Roberto Requião (PMDB), Alvaro Dias (PSDB) e Osmar Dias (PSDB), na sabatina de Greca anteontem, ‘‘não é boa’’ por que põe em risco um espaço conquistado junto ao governo federal. ‘‘Temos de pensar como paranaenses. O cargo do Rafael foi muito disputado’’, disse o dirigente.
João Elísio pretende levar adiante a campanha. Ele vai voltar a bater na tecla com os pefelistas na semana que vem. O presidente do PFL do Paraná foi o autor da moção de apoio ao ministro Rafael Greca, na semana passada, durante reunião-almoço do diretório nacional na residência do senador Jorge Bornhausen.
Lerner é um dos entusiastas da campanha pró-Greca. Ele disse ontem, pela sua assessoria, que os senadores estão levando a disputa com o ministro como uma questão regional. ‘‘Não estão entrando no foco da discussão: saber se é verdade ou não as acusações. O Greca já mostrou que é inocente’’, disse.
O deputado federal Luciano Pizzatto também se soma ao movimento. Segundo ele, existe uma orientação nacional e estadual no PFL de dar apoio integral ao ministro. Pizzatto também acha que o Paraná não tem cacife para emplacar um eventual sucessor. ‘‘A escolha de Greca foi num outro momento’’, disse.
Nos bastidores, corre a versão que os aliados de Greca perceberam no depoimento de anteontem a fragilidade do ministro. Greca assumiu a pasta, a convite do presidente da República, em janeiro. Durante os últimos dois meses, o ministro não conseguiu sair da ‘‘linha de tiro’’ e o discurso dos senadores produz eco a cada dia.
Requião, Osmar e Alvaro argumentam que não estão ‘‘paroquializando’’ a questão. (L.D.)

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