Curitiba - O Paraná ganhou 83.193 novos filiados a partidos políticos neste ano, de acordo com dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse é o saldo entre o total de novas filiações e desfiliações ocorridas nos últimos meses, ou seja, três filiados para cada desfiliado. Boa parte dessas pessoas está de olho nas eleições municipais de 2012, principalmente em um cargo de vereador, tendo em vista o aumento do número de representantes das Câmaras Municipais, aprovado em diversas cidades do Estado, como Ponta Grossa (que passou de 15 vereadores para 23); Guarapuava (de 12 para 21); Francisco Beltrão (de 10 para 15) e Almirante Tamandaré (de 11 para 15).
''As filiações em anos ímpares refletem diretamente o interesse nas próximas eleições; não têm a ver com fortalecimento de partido, mas sim com estratégia para as eleições do ano que vem. Temos milhões de vagas de vereadores e, geralmente, quem se desfilia é quem sai de um partido para entrar em outro, a pessoa não fica sem partido. Não são necessariamente políticos profissinais, mas pessoas que têm interesse em sair como candidato'', analisa o cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Emerson Cervi.
E é dessa forma que Cervi também interpreta os números de crescimento de filiados por partidos, que no Paraná se destacam o PSC e o PT, atrás do PSDB, que é o partido do governo e que, tradicionalmente, atrai correligionários. ''Os filiados se deslocam para partidos que apresentam estratégias claras de crescimento e o PT e o PSC já anunciaram que devem ter candidatos próprios nas principais cidades'', diz ele. A posição do PSC, por exemplo, está vinculada à imagem do deputado federal Ratinho Jr. (PSC), mas não necessariamente porque ele foi o deputado mais votado no Paraná em 2010. ''E sim porque ele é o grande responsável pela estratégia do partido em tentar se fortalecer nas eleições municipais, inclusive viajando pelo interior do Estado para convidar eleitores e lideranças para esse projeto'', relaciona o cientista político.
Junto com o crescimento no Paraná de filiados ao PSDB, que aparece na primeira colocação, percebe-se que o partido que mais teve desfiliações foi o PMDB. ''O que é facilmente explicado pela migração do PMDB, que até então era governo no Estado, para o PSDB. São pessoas que mudam de partido para continuar sendo governo'', afirma Cervi. Além desses peemedebistas que no ano que vem pretendem disputar a eleição na base de apoio do governo tucano, muitas desfiliações do PMDB também dizem respeito justamente ao oposto. ''São peemedebistas descontentes com a aproximação do partido com o PSDB'', lembra Cervi. Em julho, os deputados da bancada do PMDB na Assembleia Legislativa do Paraná anunciaram essa aproximação com o novo governo tucano.
Os números do PSDB, no entanto, devem se manter enquanto o partido estiver no governo apenas, tendo uma grande migração na sequência. ''O PSDB é um partido de lideranças e as lideranças são maiores que o partido. Em Curitiba, mesmo sendo o melhor pré-candidato indicado por pesquisas, o ex-deputado federal Gustavo Fruet saiu do partido porque essa candidatura não interessava ao diretório estadual. Com esse tipo de atitude é difícil formar e manter uma militância'', avalia Cervi.
No Brasil, essa relação com o partido é, de certa forma, enfraquecida, na avaliação do cientista político. ''Temos um grande número de partidos que transitam no mesmo espaço do espectro ideológico'', observa ele. O total de quase 1 milhão de filiados no Paraná, para Cervi, não pode ser desprezado. ''Não é pouca coisa, se compararmos com o total de aproximadamente 7 milhões de eleitores no Estado. É um número razoável, se pensarmos que a filiação não traz nenhuma vantagem imediata. Então, é possível relacionar que esses 986 mil filiados pensam primeiramente no partido na hora de votar, e não no candidato. E esse número de votos é capaz de eleger várias cadeiras'', ressalta.

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