Paraná faz primeiro turno com cara de segundo
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de outubro de 2010
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Pela primeira vez desde 1998, a eleição ao governo do Paraná não deve ter coadjuvantes capazes de influenciar na polarização da disputa. No pleito que ocorre hoje, os candidatos Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT) devem confirmar o protagonismo já apontado nas pesquisas de intenção de voto divulgadas antes da fase de impugnações dos levantamentos.
Não teve uma terceira, quarta via. Nenhum outro candidato além de Beto e Osmar apareceu na campanha eleitoral, afirma o cientista político Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Por conta da ausência de candidatos com o mesmo peso, continua Oliveira, os paranaenses devem conhecer ainda hoje o novo governador do Estado: Há uma grande probabilidade de a eleição acabar já no primeiro turno, diz.
Na última disputa ao governo do Estado, em 2006, os coadjuvantes Flávio Arns (na época no PT, hoje no PSDB) e Rubens Bueno (PPS) conseguiram juntos mais de 17% dos votos válidos, o que contribuiu para arrastar a disputa para um segundo turno entre Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PDT). Hoje, o PT e também o PMDB já estão ao lado de Osmar Dias. Já o PPS de Rubens Bueno entrou na base aliada de Beto Richa.
Em 2002, a eleição ao governo do Estado também não foi decidida no primeiro turno. Naquele ano, os então candidatos Beto Richa
(PSDB), Padre Roque Zimmermann (PT) e Rubens Bueno (PPS) conquistaram quase 40% dos votos válidos, o que levou a disputa para um segundo turno entre Alvaro Dias (na época no PDT, hoje no PSDB) e Roberto Requião (PMDB).
Já em 2010, dos sete candidatos ao governo do Estado, cinco nomes não chamaram a atenção nas pesquisas de intenção de voto: Amadeu Felipe (PCB), Avanilson Araújo (PSTU), Luiz Felipe Bergmann (PSOL), Paulo Salamuni (PV) e Robinson de Paula (PRTB).
A disputa de hoje lembra, portanto, a corrida de 1998, quando apenas dois candidatos dominaram a votação: Jaime Lerner (na época do PFL) fez mais de 52% dos votos válidos, contra quase 46% do peemedebista Roberto Requião. O pleito de 2010, aliás, também tem outra característica: pela primeira vez em 20 anos, nem Requião, nem Lerner, estão inscritos na disputa.
Poder das pesquisas
Oliveira alerta, contudo, para uma outra marca da eleição de hoje. Ao contrário de eleições anteriores no Paraná, o eleitor chega às urnas depois de quase 15 dias sem ter acesso a pesquisas realizadas por grandes institutos. A exceção seria um levantamento do Ibope, liberado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na sexta-feira, após recurso apresentado pelo instituto de pesquisa e que seria divulgado pela RPC TV após o fechamento desta edição.
A pesquisa influencia sim uma parcela do eleitorado, opina Oliveira, acrescentando que, numa disputa acirrada entre dois candidatos, os números de uma pesquisa podem ser, inclusive, determinantes.
Segundo ele, no Brasil, temos dois exemplos sobre pesquisa que são importantes. Uma situação ocorreu na eleição ao governo da Bahia, em 2006, quando todos os institutos davam a vitória de Paulo Souto, mas Jaques Wagner foi eleito e logo no primeiro turno. Ou seja, as pesquisas não conseguiram refletir o momento.
O outro caso ocorreu em 1998, na corrida ao governo de São Paulo. Quando a pesquisa apontou (Paulo) Maluf em primeiro lugar, Rossi (de Almeida) em segundo, (Mário) Covas em terceiro e Marta (Suplicy) em quarto, as pessoas que votariam na Marta migraram o voto para o Covas, porque acreditavam que ele tinha mais chance de ir para o segundo turno. Foi o chamado voto útil.
Oliveira, contudo, defende a divulgação de pesquisas. É claro que temos que ficar atentos às metodologias dos institutos, mas o acesso à informação é um direito do cidadão. O ideal é que se tenham vários levantamentos. Porque aquele que apontar um resultado muito diferente vai ficar desmoralizado, opina o cientista político.
Resultado
Hoje, os eleitores paranaenses devem conhecer o novo governador do Estado, e também os eleitos aos cargos de senador, deputado federal e deputado estadual, por volta das 23 horas. A votação começa às 8 horas e segue até as 17 horas.
Ao todo, 1.032 pessoas se inscreveram para algum cargo do Paraná, sendo que 58 acabaram renunciando e 85 foram barradas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Estado, e optaram por não recorrer contra a decisão. Outras 49, embora indeferidas pelo TRE, aguardam julgamento de recurso feito ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Outros dez candidatos, que receberam o aval do TRE, tiveram recursos apresentados ao TSE contra suas candidaturas. Nos dois últimos casos, os candidatos permanecem na disputa.


