Paraná encerra 2017 com superávit de quase R$ 2 bilhões
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segunda-feira, 05 de março de 2018
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 

Curitiba - O governo do Paraná encerrou 2017 com um superávit orçamentário ajustado (resultado de receitas menos despesas) de R$ 1,97 bilhão e investimentos na casa dos R$ 3,8 bilhões. Apesar dos números positivos, o secretário de Estado da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, descartou qualquer possibilidade de pagar a data-base dos servidores públicos estaduais até o fim da gestão Beto Richa (PSDB), em dezembro. A afirmação foi feita nesta segunda (5), durante a audiência pública de prestação de contas do 3º quadrimestre, na Assembleia Legislativa (AL).
"O número real é o que eu apresentei aqui. Algo em torno de 52% da nossa receita corrente líquida já é comprometido com pagamento de pessoal e encargos sociais. Ampliar essa despesa significa diminuir o gasto do Estado em saúde, educação, assistência social e segurança pública. Acho que os servidores já estão muito bem remunerados. Tivemos um crescimento significativo de 2010 até 2017, de mais de 140%, e o momento agora é de parar um pouco, pensar e deixar que a gente possa aplicar os recursos em benefício da população", afirmou Costa.
De acordo com ele, as receitas totais no ano passado somaram R$ 46,38 bilhões, sendo R$ 31,28 bilhões provenientes de tributos, como ICMS e IPVA. Já as despesas totais chegaram a R$ 46,6 bilhões, dos quais R$ 23,5 bilhões são referentes a gastos com pagamento de pessoal e encargos e R$ 9,1 bilhões em repasses constitucionais aos municípios. O governo destinou 12,07% para a área de saúde e 36,26% para educação, o que está acima do mínimo constitucional, de 12% e 30%, respectivamente.
O chefe da pasta comemorou o fato de os investimentos terem crescido 120% na comparação com 2016. "Se agregarmos aí os investimentos das estatais, chega a R$ 6,8 bilhões. Só da receita corrente líquida nós aplicamos 10,55%. É um número espetacular e a expectativa é de que o Estado continue ampliando. Agora, para isso precisamos segurar as despesas de custeio administrativo: gastar menos com o Estado e mais com a população", defendeu.
A ideia, completou, é seguir na mesma toada. "Entramos em 2018 com o pé no acelerador. A última operação de alienação de ações da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) gerou mais de R$ 500 milhões e 100% do orçamento de investimentos do Estado está descontingenciado", destacou. Conforme Costa, a administração tucana deve priorizar obras como duplicação de rodovias, melhoria de acesso e asfaltamento. Novos aumentos de impostos, garantiu, estão descartados.
A grande preocupação da gestão estadual é com o crescimento vegetativo da folha, sobretudo devido ao pagamento de inativos e pensionistas. Os gastos do Tesouro com previdência social, de acordo com a Fazenda, aumentaram 14%, passando de R$ 3,75 bilhões em 2016 para R$ 4,28 bilhões em 2017. "Uma reforma previdenciária é fundamental não para reduzir despesas, e sim o ritmo de crescimento. O governo perdeu o timing. Vai ficar para o próximo, mas esse debate é importante fazermos", defendeu o secretário.
Para a oposição, porém, o relatório mostra apenas parte da realidade. "Essa é a parte que interessa ao governo. Mas o governo precisa fazer aquilo que se comprometeu. Fez um acordo para que os servidores acabassem com uma greve longuíssima [em 2015, quando ficou acordado que pagaria o reajuste da data-base] e não cumpriu. Optou por um programa político e eleitoral. O que está fazendo hoje, entregando dinheiro aqui, dinheiro ali, cargos e todo tipo de bugiganga no Paraná inteiro, é mais um processo de campanha", opinou o petista Tadeu Veneri.


