Paraná é o 2º em reeleição de prefeitos
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quarta-feira, 06 de outubro de 2004
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Setenta e seis prefeitos paranaenses, dos 160 que tentaram a reeleição no dia 3 de outubro, ganharam nas urnas mais quatro anos de mandato. Em Londrina, Maringá e Ponta Grossa, os atuais prefeitos disputam o segundo turno das eleições. Segundo um levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Paraná é o segundo estado brasileiro que mais reelegeu prefeitos, perdendo somente para São Paulo, com 201. Em 19 estados, 871 prefeitos foram reeleitos no primeiro turno.
Esta é a segunda eleição municipal após a Emenda Constitucional número 16, de junho de 1997, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que permitiu presidentes, governadores e prefeitos a postularem a reeleição.
Dos 399 prefeitos do estado, 240 poderiam tentar a reeleição este ano, mas somente um terço se candidatou. ''Fizemos um levantamento no Brasil inteiro e o Paraná tinha o maior índice de prefeitos que saíram da iniciativa privada para a pública. Hoje, dos 240 prefeitos que poderiam disputar a reeleição, apenas 160 se candidataram. Os demais não se adaptaram'', disse o presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e prefeito de Barracão (90 km a oeste de Francisco Beltrão), Joarez Henrichs.
Segundo Henrichs, o principal motivo para pouco mais da metade dos prefeitos que tentaram a reeleição ter vencido as eleições, teria sido a falta de recursos nas prefeituras. ''A falta de recursos dos municípios acarretou no descontentamento da população que exigia, mas o prefeito não tinha como fazer. O prefeito tinha que cumprir a lei, como a de Responsabilidade Fiscal. Aconteceu que os prefeitos acabaram pagando uma conta que não era deles, mas uma falta de repasse do governo estadual e federal '', justificou.
Segundo o presidente da AMP, a solução seria a unicidade das eleições municipais, estaduais e federais. ''O Brasil não sustenta mais eleição a cada dois anos. Fizemos um projeto propondo a unicidade das eleições. Os governos federal e estadual que assumiram pegaram um governo de oito anos do Fernando Henrique e Jaime Lerner, mas os prefeitos que estavam andando como um carro na quinta marcha, tiveram que reduzir. Isso prejudicou esses prefeitos. Os governos federal e estadual não passaram recursos, não fizeram obras. Na minha análise, seria ideal um mandato de cinco anos sem reeleição, porque daí se consolida um plano de governo'', defendeu.
Conforme Henrichs, há dois anos, a AMP encaminhou ao Congresso Nacional um projeto que extende os mandatos para cinco anos. ''A partir das eleições de 2010, os mandatos de prefeitos ao presidente, de vereadores a deputados federais seriam de cinco anos e os de senadores, seriam reduzidos para cinco anos'', explicou. ''Vamos trabalhar em cima da unicidade das eleições'', concluiu.


