Na outra ponta do processo de adaptação à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estão exemplos como o do Paraná. A informatização, segundo a presidência do Tribunal de Contas do Estado (TC), já atinge todos os 399 municípios paranaenses, o que deve tornar as prestações de contas mais rápidas e mais fáceis de serem auditadas.
Em virtude da mudança dos relatórios em papel para o uso de disquetes, o tribunal concedeu mais alguns dias para a entrega dos relatórios quadrimestrais. ‘‘Mas quase todos já chegaram’’, garante o presidente do tribunal, Rafael Iatauro.
A informatização, conta Iatauro, está atingindo até mesmo os municípios menores, que, de acordo com ele, estão se adaptando perfeitamente. ‘‘Mesmo aqueles da barranca do Rio Paraná estão fazendo tudo como tem de ser.’’ Os bons resultados, acredita, são explicados pelos cursos ministrados em todas as regiões do Estado.
No levantamento feito junto aos TCs, também informaram não ter inadimplência Alagoas, Roraima, Tocantins, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Na maior parte desses Estados, trabalha-se com a possibilidade de entrega dos relatórios semestralmente. Muitos dos tribunais consultados não deram informações sobre a situação dos municípios e outros disseram que ainda não podiam divulgar os resultados.
O caso do Paraná contrasta com a realidade de vários municípios localizados nos confins dos Estados, como é o caso de Uarini, no interior do Amazonas, com pouco mais de 14 mil habitantes. O prefeito, José Franklin Lopes Filho (PMDB), está a seis horas de barco de um telefone e a 48 horas ininterruptas de viagem da Internet.
Lopes Filho está entre os inadimplentes do Tribunal de Contas do Amazonas, já que lá o entendimento é o que todos os municípios já deveriam ter entregue o relatório quadrimestral, mesmo os menores. ‘‘Cumprir prazo aqui em Manaus não é mesma coisa que em São Paulo. Vocês vão pela estrada e nós, pelo rio.’’

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