Curitiba – No Paraná, a #partidA para a criação da primeira legenda feminista do País será dada entre o fim de julho e o início de agosto. A data e o local devem ser definidos nos próximos dias. À frente da organização estão, além de Márcia Tiburi, a produtora cultural Loana Campos e a arquiteta Letícia de Sá, que participaram, ao lado da filósofa, das atividades iniciais em São Paulo, nos dias 2 e 14 de junho. A expectativa é reunir, mais uma vez, pessoas trans e cisgênero, lésbicas, gays ou heterossexuais, que estejam descontentes com o modelo patriarcal de se fazer política.
"O que me instiga em estar na #partidA é ver muitas mulheres de várias frentes feministas dispostas a travar um diálogo e a achar uma congruência. Essa generosidade das pessoas é algo bonito, como também é a questão do afeto", afirmou Campos. Apesar do envolvimento com militantes que integram siglas já constituídas, ela própria falou que nunca chegou a se filiar. "A Márcia esteve aqui há três semanas num evento chamado Litercultura. Quando a escutei falando sobre a #partidA, me identifiquei com a proposta e me interessei em entrar", completou.
Na capital paulista para cursar um doutorado, Letícia de Sá, também curitibana, é outra que vive sua primeira aventura em um partido político. "O mais legal é que a noite de 2 de junho foi uma das mais frias de São Paulo. Só escutando aquelas várias mulheres, que já participam há muitos anos de movimentos feministas, nos sentimos acolhidas. O clima era de muito respeito. E o cerne da questão é justamente esse: incluir as pessoas e as suas singularidades", opinou. Entre as participantes estavam, segundo ela, militantes históricas, como Inês Castilho, Solange Padilha, Amelinha Telles e Rita Ronchetti, que dividiam espaço com as novas gerações.
Professora da rede federal de ensino, a arquiteta contou também que, em determinado momento da reunião, o escritor Evandro Affonso Ferreira, um dos poucos homens presentes, pediu a palavra e afirmou: "ouvindo a fala de todas vocês, eu me lembrei do ônibus da Billie Holiday (cantora de jazz norte-americana). Ela não podia cantar em lugar nenhum; ela não podia entrar em hotel. Ela junta-se com três músicos e compra o próprio ônibus. Eu acho que o que vocês têm que fazer é comprar o próprio ônibus". Ao que parece, esse deve ser mesmo o destino das mulheres da #partidA. (M.F.R.)

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