O governador Jaime Lerner (PFL) e o senador Roberto Requião (PMDB) se enfrentam hoje nas urnas. Eles disputam os 6.384.242 de votos dos paranaenses. Essa é a segunda vez que os dois concorrem a um mesmo cargo eletivo. A primeira foi em 85, quando disputaram a Prefeitura de Curitiba. Lerner saiu derrotado. Perdeu a eleição por 19 mil votos. Hoje, é apontado pelos institutos de pesquisa como o favorito. Em 94, eles também estiveram em lados opostos, porém, não entraram em confronto direto, pois concorriam a cargos diferentes. Foram eleitos governador e senador, respectivamente.
Tanto Lerner quanto Requião são bons de voto. Na eleição de 94, passaram a marca dos 2 milhões de votos. Lerner venceu o então candidato da coligação PPR-PMDB-PMN-PP, Álvaro Dias, que já foi governador e que hoje postula a única vaga ao Senado pelo PSDB. A diferença entre ambos foi de 615.332 votos. Lerner fez 54,8% e Álvaro, 38,5% dos votos válidos. Requião foi o primeiro colocado, seguido do senador também eleitor, Osmar Dias (PSDB). O peemedebista venceu com facilidade os outros oito adversários, dois deles suportados pelo PDT, antiga legenda de Lerner.
Pela primeira vez, Roberto Requião concorre sem ‘padrinho’. Em 85, contou com o apoio do então governador, José Richa (sem partido). Pertencentes ao antigo MDB, Richa e Requião eram aliados. Richa licenciou-se da função para fazer a campanha para Requião. Em 90, na briga com o ex-deputado José Carlos Martinez (PTB), ao governo - marcada pelo episódio Ferreirinha, personagem supostamente criado para atrapalhar Martinez -, o candidato das oposições teve como cabo-eleitoral, Álvaro Dias. Naquela época, Richa havia rompido com Requião e também concorria ao governo. Sucessor de Richa, Álvaro desistiu de concorrer ao Senado em 90 para assegurar a vitória de Requião.
O governador Jaime Lerner conseguiu ampliar o seu leque de apoios nos últimos anos e aliados de peso, que lhe dão suporte, é o que não falta. Ele conta com o respaldo de três partidos grandes hoje no Estado: PFL, PTB e PPB. Lerner conseguiu abrir dissidências no PSDB - considerado um aliado natural do PMDB de Requião - e fazer com que os tucanos desistissem de disputar o governo. Ao contrário de Requião, o governador teve de mudar de partido para viabilizar condições políticas que o respaldassem. Em setembro de 97, trocou 12 anos de PDT pelo PFL.

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