Paraná comemora 150 anos de emancipação
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sexta-feira, 29 de agosto de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O governador Roberto Requião (PMDB) abriu ontem as festividades de comemoração dos 150 anos de emancipação política do Paraná fazendo duras críticas aos seus antecessores Jaime Lerner (PFL) e Mário Pereira (PMDB). Sem citar os nomes dos ex-governadores, Requião lamentou que o Paraná tenha vivido dez anos de ''descaminho neoliberal'' que teriam levado o Estado a conviver com a fome e a miséria. ''Hoje temos dois milhões de paranaenses vivendo abaixo da linha da pobreza. Sobrevivem com menos de meio salário mínimo por mês. Este dinheiro tem que dar para alimentação, habitação, vestuário, educação e saúde'', lamentou o governador, em seu discurso.
Requião prometeu implementar uma marca de mudança no Paraná, fazendo um pacto de solidariedade com a população e apostando na inclusão social. ''Vamos fazer programas para criação de empregos e geração de renda'', apostou. O deputado estadual Rafael Greca de Macedo (PMDB), presidente da comissão do Sesquicentenário do Paraná, reforçou o discurso de Requião. Para ele, o Paraná terá duas metas principais nos próximos quatro anos: revogar a pobreza e injustiça ainda existentes nas mais diferentes classes sociais e complementar o sistema estadual de bibliotecas. ''Ainda temos 49 cidades paranaenses sem bibliotecas. Vamos mudar este quadro e levar a educação a toda a população do Estado'', disse.
Na abertura das comemorações do sesquicentenário do Paraná, o manuscrito original da Lei nº 704 de 29 de agosto de 1853 da Assembléia Nacional do Império do Brasil que tornou o Paraná em província independente de São Paulo foi trazido para Curitiba. O manuscrito, com a assinatura do imperador Dom Pedro II, foi lido pelo príncipe Dom Pedro de Alcântara de Orleans e Bragança, descendente do imperador. As festividades tiveram ainda desfiles de bandeiras simbolizando as nove cidades que existiam na época da criação do Paraná (Paranaguá, Curitiba, São José dos Pinhais, Lapa, Antonina, Morretes, Guaratuba, Castro e Guarapuava) e as cidades que se formaram com o desenvolvimento do café (Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel, Francisco Beltrão e Pato Branco).
Representantes do Tribunal de Justiça e do Movimento Pró-Paraná aproveitaram a solenidade para dizer que a luta pela independência política do Estado ainda continua. Eles defenderam a criação do Tribunal Regional Federal (TRF) em Curitiba, projeto que já tramita no Congresso Nacional. ''Sempre teremos que lutar pela nossa independência. O crescimento dos estados nos obriga a isto'', disse o desembargador Munir Karam.


