Paraná busca recursos para salários
Leandro Donatti
De Curitiba
O governo do Estado não tem ainda a integralidade dos R$ 500 milhões necessários para pagar o 13º salário e a folha de dezembro do funcionalismo público. A equipe econômica do governo Jaime Lerner (PFL) busca alternativas para reunir o que ainda falta do dinheiro. O valor buscado é mantido em segredo pelo Palácio Iguaçu. No próximo dia 21, o governo do Paraná tem de depositar R$ 250 milhões do 13º e em menos de uma semana, no dia 30, os outros R$ 250 milhões referentes à folha de dezembro. Comunicado interno e extra-oficial, nas secretarias e órgãos públicos, confirma o cumprimento das datas estipuladas pelo governo.
Os secretários da Fazenda, Giovani Gionédis; e do Governo, José Cid Campêlo Filho, passaram os últimos dois dias no Rio de Janeiro, fazendo contatos com instituições na tentativa de obter dinheiro para o Estado, a curto prazo. No Rio, está instalada a sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Uma fonte ligada ao governo garantiu à Folha ontem que os secretários retomaram as negociações de um empréstimo-ponte, oferecendo em troca, como garantia, ações da Copel. Os papéis já renderam R$ 1,4 bilhão para o Estado, desde 96, quando as primeiras ações foram colocadas à venda, informou Gionédis em novembro passado, quando participou de sabatina sobre o endividamento do Paraná na Assembléia.
O empréstimo-ponte do BNDES foi objeto de inúmeras viagens da equipe econômica do governo estadual no final do ano passado e no início deste ano. As trocas de comando no BNDES, hoje dirigido por Andrea Calabi, acabaram atrapalhando as negociações em andamento há meses. Para não ficar refém do BNDES, o governo mudou de estratégia e passou a investir de cabeça na idéia da antecipação dos royalties da Usina Hidrelétrica de Itaipu. A antecipação, planejada para capitalizar a previdência e consequentemente desafogar os gastos com a folha de pagamento, entretanto, está emperrada parou no Ministério da Fazenda e não tem previsão ainda para um desfecho neste ano.
Campêlo Filho fez suspense. Não quis adiantar ou falar sobre o assunto, ontem. Ele e Gionédis desembarcaram em Curitiba no início da noite, não desfazendo o mistério da viagem de dois dias ao Rio. A folha de pagamento de dezembro e o repasse do 13º salário já estão na Secretaria da Fazenda para serem rodados. A secretária da Administração, Maria Elisa Paciornik, já encaminhou a papelada.
A antecipação da cobrança dos R$ 130 milhões, referentes ao Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), aprovada pela Assembléia Legislativa durante esta semana, é uma das prováveis armas usadas pelo governo para obter dinheiro rápido. O recolhimento efetuado até maio, como determina a proposta que, para virar lei depende da sanção do Palácio Iguaçu serve como garantia para eventuais socorros financeiros. A operação raspa-tacho, que confisca todas as sobras de caixa da maioria dos órgãos da administração pública, também ajuda nessa hora. O governo Lerner espera arrecadar o mesmo que arrecadou no ano passado, algo em torno de R$ 12 milhões.





