Paraná abre guerra contra federalização de portos
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quinta-feira, 14 de julho de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A ameaça de federalização da administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) mobiliza o governo do Estado. O governador Roberto Requião (PMDB) está buscando o apoio da base aliada na Assembléia Legislativa para que entre na batalha. Ele já afirmou que tem influência no Senado para impedir a aprovação do Decreto Legislativo que tira a administração da Appa do governo paranaense e ontem reuniu, no Palácio Iguaçu, líderes sindicais que representam diversas categorias de trabalhadores dos portos para mobilizá-los no que classificou de ''guerra do porto público e do porto privado.''
''A União assume e depois privatiza o porto.'' Isso é o que, segundo o governador, vai acontecer caso haja a federalização. Na reunião com os representantes sindicais, Requião expôs números positivos da Appa e negou os problemas apontados por relatórios da Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (Antaq), do Tribunal de Contas da União (TCE), do Departamento de Infra-estrutura de Trasnportes (Dnit) e de entidades ligadas ao setor agrícola. Requião afirmou que a intenção de privatização começou com o término do convênio de operação do porto, que foi substituído por uma delegação de administração realizada em 2001 no governo de Jaime Lerner (PSB).
O deputado Rafael Greca (PDMB) participou da reunião com os líderes sindicais e anunciou um movimento contra a federalização. ''Quem quer tirar o porto do Paraná tem que ter vergonha. Tem que satanizar quem quer fazer isso'', disparou o deputado. Greca anunciou o lançamento do movimento ''O Porto é Nosso'' para o próximo dia 30, em Paranaguá. Outros deputados da base aliada do governo já se pronunciaram contra a federalização. ''Esta é a coisa mais ridícula que inventaram com o objetivo único de atrapalhar a política do governador Roberto Requião'', declarou o deputado Cleiton Kielse (PMDB) em nota divulgada pelo Palácio Iguaçu. Os deputados da base de apoio pretendem apresentar uma moção de repúdio ao autor da proposta, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), em agosto.
A aprovação do decreto legislativo no Senado perdeu um pouco de força depois que os três senadores paranaenses, Alvaro Dias (PSDB), Osmar Dias (PDT) e Flávio Arns (PT), declararam que não pretedem votar a favor do projeto. ''Os relatórios apontam os problemas de gestão nos portos. Porém, por outro lado, o governo estadual nega. E nós não podemos votar o decreto antes de ouvir os dois lados. Se há duas versões contraditórias tem que haver um debate'', afirmou o senador Osmar Dias. Para ele o ideal é que uma audiência pública seja feita e todas as partes interessadas participem. ''Esse debate poderia ajudar a constituir um novo modelo de gestão'', ponderou o senador, que alega também ser contra a privatização.


