Os servidores municipais de Londrina decidiram ontem, em assembléia, manter a greve iniciada dia 7. Cerca de 70% dos quase quatro mil trabalhadores conforme cálculo do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv) que participaram da assembléia realizada em frente à Prefeitura, rejeitaram a proposta assinada dia 24 pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) e o presidente do sindicato, Marcelo Urbaneja. A proposta intermediada pela Câmara de Vereadores previa o retorno ao trabalho mediante reajuste de cerca de 16% do auxílio-alimentação para os quase 6,5 mil servidores ativos, acompanhamento da evolução da receita do município com negociação do possível incremento a cada quatro meses e a negociação do desconto dos dias parados. A reivindicação dos servidores é de 21% de reajuste salarial referente as perdas acumuladas entre 2001, 2002 e 2004.
A assembléia durou duas horas e meia. Sob um forte sol, os servidores manifestaram suas opções divididos em dois grupos. ''O servidor entendeu que a proposta do prefeito representava uma esmola, um acréscimo de R$ 20 no auxílio-alimentação e nada mais. Até mesmo a ameaça de desconto dos dias parados se manteve. O servidor não aceitou esse tipo de coação. Queremos que o prefeito sente à mesa para negociar a dívida com o servidor'', disse Urbaneja.
Segundo ele, mesmo com a opção de retorno ao trabalho manifestada por 30% dos servidores, o movimento não perde força. ''Não significa que quem votou pelo retorno ao trabalho não vá participar do movimento. Não foi uma votação de exclusão, foi uma votação de voltar ao trabalho ou não. Se houver esse retorno, vamos estar fazendo comissões de convencimento para trazer essas pessoas ao movimento'', disse. ''Eu não acredito que o movimento perde. As opiniões pessoais devem se curvar à decisão da maioria. Esse é o sistema democrático'', considerou.
Conforme o presidente do Sindserv, os servidores deverão intensificar as passeatas e acampar na praça do Centro Cívico. ''Agora iniciaremos um segundo momento com várias atividades que terão o objetivo de mostrar para a sociedade o movimento de paralisação e a instransigência por parte da administração municipal. A partir de amanhã (hoje) iremos promover um acampamento no Centro Cívico, as passeatas pelo centro da cidade com o objetivo de mostrar a mobilização irão se intensificar, autoridades que serão recepcionadas na cidade terão a presença dos servidores se manifestando com o objetivo de mostrar que o movimento continua forte e a administração está tratando o servidor de uma maneira irresponsável e intransigente'', afirmou.
Outra medida que poderá ser tomada pelo sindicato, será o ajuizamento de uma ação para garantir o pagamento do salário dos servidores referente a fevereiro. ''Essa semana estaremos entrando com uma ação na Justiça com o objetivo de garantir o pagamento do mês de fevereiro. Os servidores responsáveis pela folha de pagamento dos trabalhadores, da Câmara de Vereadores e também dos cidadãos que recebem o Bolsa-Escola e outros programas, já foram liberados desde o início da paralisação e só não estão trabalhando por ordem direta da administração'', acusou Urbaneja.

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